Política

Heloísa Helena apoiará Ciro Gomes no primeiro turno e não acredita em “golpe” nas eleições

Porta-voz da Rede diz, no entanto, que apoio ao PT em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, não está descartado

Heloísa Helena, hoje porta-voz do partido Rede Sustentabilidade. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Heloísa Helena, hoje porta-voz do partido Rede Sustentabilidade. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
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Apesar das diferenças que colocaram em lados opostos a hoje porta-voz da Rede Sustentabilidade, Heloísa Helena, e o Partido dos Trabalhadores, a ex-petista não mostra indisposição ao diálogo com a legenda. Em 2003, o PT a afastou de seus quadros por divergências sobre condução dos trabalhos da então senadora no Congresso Nacional.

A federação entre Rede e PSOL ainda está em fase de homologação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas já há uma liminar do Tribunal, que possibilita a operação entre os dois partidos. Entre eles ficou estabelecida uma cláusula de divergência pública. Com isso, enquanto parte da federação já definiu seu apoio a Lula ainda no primeiro turno das eleições presidenciais, outro grupo ainda não revelou publicamente a decisão. Há ainda quem já tenha declarado seu apoio a outros candidatos, como Helena, que é partidária da candidatura do pedetista Ciro Gomes.

Entretanto, se confirmada a polarização indicada nas pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, que colocam o ex-presidente Lula e o presidente da República Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, Helena está disposta a dialogar. Ela vai defender as propostas que a Rede Sustentabilidade formulou para o país em seu último Congresso.

“Vamos deixar que as urnas sejam abertas. Quando for estabelecido formalmente o que é da vontade da maioria, nós vamos fazer o debate necessário”, afirma Helena.

Convidada desta semana no BDF Entrevista, a ex-senadora não acredita que uma eleição definida no segundo turno possa colocar em risco a democracia brasileira.

“Eu tenho profundo respeito por quem, por honestidade intelectual e análise da conjuntura, acha que pode haver uma experiência horrenda. Eu não acredito que vai ter essa conversa de golpe”, aponta.

“Se tiver golpe, nós vamos lutar com todas as nossas forças. Eu vou respeitar quem vai lutar no exílio e eu vou ficar aqui lutando nas ruas, com todas as forças e com todas as armas para impedir isso. Não existe correlação de força suficiente para se fazer isso, nem nas estruturas que supostamente são armadas no Brasil”, completa a porta-voz da Rede.

Na conversa, Heloísa Helena fala ainda sobre os impactos da federação para a Rede, que foi penalizada pela cláusula de barreira nas eleições de 2018, sobre sua pré-candidatura à deputada federal pelo Rio de Janeiro e sobre a decisão do partido em não lançar uma candidatura única à presidência.

“Estarmos fora do horário político, que é aquele espaço que os partidos têm, anualmente, para apresentar a sua análise de conjuntura e também do horário eleitoral, que é a estrutura onde você tem a possibilidade de disputar no imaginário popular alternativas com base no conteúdo dos programas partidários, das convicções ideológicas. Realmente é nem jogar. Não somos os únicos, claro, que jogaram na clandestinidade política”, explica.

A federação com o PSOL já foi aprovada pelo TSE. Ela será presidida, nesse primeiro período, pelo psolista Guilherme Boulos. Qual a importância desse novo instituto eleitoral?

Na verdade, seria muito importante que o Brasil tivesse a coragem de fazer uma reforma política de fato, e não ceder ao emaranhado do calendário eleitoral, que a cada véspera de eleição muda a legislação, faz uma reforma eleitoral e nunca uma reforma política. Não se aumentam os mecanismos de permeabilidade das instâncias de decisão política, dos espaços de poder, à participação da sociedade de uma forma em geral.

Nunca fazem reforma política, sempre fazem reformas eleitorais e isso cria um emaranhado na legislação em vigor e na percepção da população em relação às eleições. Claro que, quando saiu o instituto da federação, alguns partidos nos convidaram para que fôssemos acolhidos em outras instâncias partidárias, até porque a Rede não ultrapassou a cláusula de barreira no último processo eleitoral. Os únicos votos que contam para ultrapassar a cláusula de barreira são os votos de deputados federais. Nós não temos fundo partidário ou, o que eu acho que é muito grave, acesso ao horário político.

Claro que quando um setor da comunicação como vocês nos ouve, por generosidade democrática, é extremamente importante, mas estarmos fora do horário político que é aquele espaço que os partidos têm, anualmente, para apresentar a sua análise de conjuntura e também fora do horário eleitoral, que é a estrutura onde você tem a possibilidade de disputar no imaginário popular alternativas com base no conteúdo dos programas partidários, das convicções ideológicas, da visão de mundo. Realmente é nem jogar. Não somos os únicos, claro, que jogaram na clandestinidade política.

Desde o ano passado, a Rede tinha, na sua maior instância de democracia interna, que é o Congresso, decidido que iríamos disputar dois governos estaduais – Espírito Santo com Audifax [Barcelos], e na época, com Randolfe [Rodrigues] no Amapá. Como Randolfe foi para outra atividade, ficou a candidatura da Rede [no Amapá] com Lucas Abrahão. E buscarmos todos os esforços para que a gente pudesse superar a cláusula de barreira com candidaturas de deputadas e deputados federais.

Na época, só tínhamos Joênia [Wapichana], então era reeleger Joênia e agora reeleger também Túlio [Gadelha] e aumentarmos a bancada para superarmos essa clandestinidade. O fundo partidário nos faz falta? Faz. Mas a gente vai se virando com as contribuições militantes, somos meio minimalistas do ponto de vista das nossas vidas pessoais e da estrutura partidária. Mas ficarmos de fora do horário político e do horário eleitoral é um mecanismo de clandestinidade política muito injusto.

O PDT, no início, se ofereceu para nos abrigar, após a aprovação da federação, porque, até então não havia a possibilidade concreta de que isso acontecesse. Só com a derrubada do veto do presidente é que isso aconteceu, pelo Congresso. Nós conversamos com o PSB, com o Cidadania, com o PV, com o PCdoB e com o PSOL. Com os chamados partidos do que, originalmente, a gente chamava de Campo Democrático Popular.

Como você sabe, a gente vive num país de dimensões continentais. A federação é uma ferramenta complexa do ponto de vista jurídico e político, e temos que obrigatoriamente estarmos juntos durante quatro anos. Portanto, ultrapassarmos não apenas esta eleição, com 27 estados, táticas eleitorais muito diferentes, organizações partidárias distintas, mas muito especialmente fazer a travessia da eleição municipal com mais de 5.500 municípios. Era muito duro.

Nós começamos onde realmente mais tinha a possibilidade de continuarmos. Embora o PSOL seja maior do que nós, da Rede, era com o PSOL. Então, iniciamos um debate programático muito longo, pelas diferenças de organizações das duas instâncias. Eu fui da fundação do PSOL, sei que lá tem a caracterização de centralismo democrático. Na Rede, tem a caracterização de consensos progressivos, nem sempre se consegue as duas, mas do ponto de vista estatutário é assim, têm concepções distintas, hora mais flexíveis, hora mais rígidas, na questão do programa.

No nosso caso, não perdemos tempo no cálculo eleitoral, a medíocre matemática eleitoralista. A gente demorou muito no debate da construção programática, porque, como você sabe, na federação, ao contrário da fusão, cada partido preserva seu programa, cada partido preserva seu estatuto de funcionamento, faz um programa e um estatuto de funcionamento comum. Então vai ser uma travessia interessante de ser analisada depois.

A senhora falou sobre a questão da cláusula de barreira. Foi isso que impediu, por exemplo, que a Rede tivesse uma candidatura única à presidência da República, com Marina Silva, por exemplo?

Na verdade, no ano passado, nós tiramos três eixos. O nosso primeiro eixo era fazer uma atualização do que a gente chama 18 eixos estratégicos para o Brasil sustentável, que dá conta das políticas sociais, das políticas públicas, das relações nacionais e internacionais, nos eixos da sustentabilidade ambiental, econômica e social.

Com essa atualização programática, nós já vínhamos fazendo vários debates, com base no programa que Marina apresentou em 2018. E quando nós estávamos diante de uma questão muito objetiva, que é ser jogado na clandestinidade política – porque você não ter nenhum segundo no horário eleitoral, por mais que as pessoas achem que as redes sociais dão conta de tudo, isso não é verdade. É totalmente diferente de você não ter um único segundo, as pessoas não sabem que tem candidatura.

A gente tinha discutido isso, que era a nossa prioridade, foi algo debatido por consenso, que nós deveríamos nos dedicar. O conteúdo doutrinário, programático que a Rede defende, nós não somos nem os primeiros, nem os últimos, nem os únicos. Existem outras estruturas dos movimentos sociais, na institucionalidade, que também defendem muitas dessas teses.

Mas o conteúdo programático, o perfil da estrutura partidária, se nós queremos que o partido continue existindo, do ponto de vista de uma instância para disputar no imaginário popular alternativas para um país – na época, não tinha debate sobre federação, alguns até defendiam que a gente fizesse fusão com outras estruturas partidárias, mas nós tomamos a decisão de não fazermos fusão e a decisão era, realmente, irmos sozinhos porque, à época, não tínhamos nenhuma alternativa legal.

Nós já tínhamos feito esse debate nacionalmente, com vagar, com muita democracia interna e decidido, inclusive as questões de buscar os maiores colégios eleitorais, para que a gente pudesse disputar no imaginário popular o nosso conteúdo programático. Isso implicava, inclusive, em alteração dos domicílios eleitorais, como foi a questão de Marina para São Paulo e eu no Rio.

O PSOL decidiu que apoiará o ex-presidente Lula nas eleições deste ano já no primeiro turno. A Rede, no acordo com a federação, decidiu que deixará seus integrantes decidirem individualmente qual caminho seguir. Já a senhora tem falado sobre seu apoio à candidatura de Ciro Gomes, nesse primeiro turno. A senhora enxerga em Ciro um candidato competitivo nestas eleições? Ele tem registrado entre 6%, 7% e 8% nas últimas pesquisas eleitorais.

Desde o início nós fizemos um esforço grande para fazer o debate do direito à divergência pública, como se fosse cláusula de consciência, porque cláusula de consciência não precisa de concessão partidária, é até legalmente estabelecido, nem também fosse uma desobediência civil interna, nas estruturas partidárias, onde cada um começasse a fazer o que achava que, do ponto de vista eleitoreiro, era bom para si.

Nós incorporamos – não em todos os estados – a divergência pública sem colisão com a fidelidade partidária, são em três estados, especialmente em Minas Gerais, onde a Rede não apoiará a candidatura apresentada pela federação, que é do PSOL, e no caso do Espírito Santo, que o PSOL não apoiará a candidatura da federação, que é da Rede. E uma circunstância na Paraíba.

Em todos os outros estados, nós vamos fazer um grande esforço para estarmos juntos na estruturação do programa e na tática eleitoral. No caso da Rede, nós já vínhamos discutindo isso de forma ampla, transparente e democrática. Fazendo um esforço imenso para que as nossas divergências, na avaliação da tática eleitoral, não significassem construir processos tumultuados de cisão, de contendas internas. Muitas vezes as contendas aparecem nos meios de comunicação, mas na vida real da Rede, não.

Desde dezembro, Randolfe, que é meu amigo, irmão, de tanto tempo que estivemos juntos militando politicamente, já tinha me falado da vontade que ele tinha de apoiar a candidatura do ex-presidente Lula. Não teve nada de submundo, de acordos feitos, distanciados da transparência, do respeito democrático. Nada disso.

Eu já tinha dito que, em eleições de dois turnos, eu estou entre os mortais que não cedem nem ao fundamentalismo político, nem ao fanatismo da idolatria política. Eu estou entre os mortais que aprenderam a fazer debate programático. No primeiro turno se faz o debate sobre um projeto para o Brasil e no segundo turno se faz a velha escolha conhecida de todos, que é escolher o que você considera menos ruim.

Mas na eleição de dois turnos, eu respeito profundamente quem pensa diferente, exijo respeito também à minha posição, porque não há como ceder. Esse negócio de tentar me amedrontar, pode ter uma enxurrada de canalhice nas redes sociais, perseguição implacável, o tipo de banditismo político, os gabinetes dos ódios, os mais diversos nos circuitos da idolatria política.

Eu sempre digo que depois que eu saí do quartinho de empregada onde eu passava Natal e Ano-Novo com minha mãe, em cima de uma máquina de costura, depois que eu dei um passinho fora do quartinho de empregada, empurrada por minha mãe, tal qual uma águia empurra os seus filhotes para que eles aprendam a voar, ali eu engoli todos os meus medos.

Eu acho profundamente desrespeitoso. Eu respeito quem, por tática eleitoral, tem preocupações, é legítimo que existam preocupações as mais diversas em relação ao que pode acontecer no primeiro turno, ao que pode acontecer no segundo turno, mas eu estou entre os mortais que querem ter o direito de fazer o debate programático, eu respeito as escolhas que foram feitas.

Com meu querido irmão Randolfe, a gente conversa sobre o conteúdo programático e não há uma única fagulha que possa viabilizar uma confusão entre a gente. Ele está na coordenação do ex-presidente. A federação, por maioria, certamente pela correlação de forças que internamente nós temos, vai aprovar. Eu vou apoiar Ciro. Marina vai explicitar a sua opção daqui a pouco. Eu sei qual é, mas cabe a ela, publicamente, falar sobre.

É uma diferença na tática eleitoral, uma diferença na compreensão e na avaliação da conjuntura política e da conjuntura eleitoral. E eu apenas estou entre os mortais, do ponto de vista da estatística, talvez seja a minoria, mas que não abre mão do direito, não aceita a coleirinha para impedir que eu possa querer discutir um debate nacional.

A senhora teme que uma eleição em segundo turno dê margem para rompantes golpistas do presidente da República? Tem quem defenda que, em um primeiro turno, seria complicado algo do gênero. Mas que, em um segundo turno, isso talvez se tornasse uma possibilidade.

Bom, eu tenho profundo respeito por quem, por honestidade intelectual e análise da conjuntura, acha que pode ter uma experiência horrenda. Embora nós não estejamos numa democracia, porque a democracia sem justiça social não se consolida como tal.

Nenhuma sociedade que se queira moderna e civilizada, nem ela aceita a miséria humana, a pobreza extrema, a acumulação de riqueza, a concentração de riqueza para alguns poucos. E não aceita nenhuma dessas experiências horrendas. Claro que tem algumas pessoas que falam em democracia, mas querem uma ditadura para chamar de sua. Não é a toa que são muitos os gabinetes dos ódios, da intolerância e da perseguição implacável contra quem pensa diferente. E se for mulher pior ainda, viu? Vamos mudar o mundo pela sua menininha, pela minha e por tantas outras meninas, que não aceitam que se ponha canga, mordaça, coleirinha, dizendo para onde a gente vai.

E, para nós, é sempre mais difícil, porque sempre aparece algum acanalhado que vai dizer: “mágoa, rancor, mimimi, histeria, mal amada, mal comida” e outras coisas mais. Porque são muitos os que serpenteiam, nas suas línguas, as canalhadas e o machismo e não conseguem conviver com mulheres que têm coragem, que dizem o que pensam e que lutam pelo que acreditam, que têm muitas cicatrizes dos campos de batalha onde estiveram, mas que não assinam a rendição da covardia.

Então, eu não acredito que vai ter essa conversa de golpe. Têm uns que dizem: “há, temos que resolver logo, porque vai ter golpe”. Se tiver golpe, nós vamos estar lutando com todas as nossas forças. Eu vou respeitar quem vai lutar no exílio e eu vou ficar aqui lutando nas ruas. Não tem correlação de força suficiente para se fazer isso, nem nas estruturas que supostamente são armadas no Brasil. E a gente sabe, também, como funciona um setor da elite nacional econômica e política, que rapidamente migra para quem é expectativa de poder.

A senhora está pronta para, em um segundo turno, sentar com o ex-presidente Lula, se for o caso, e debater o conteúdo programático, apresentar questões da Rede e PSOL ao ex-presidente?

Não queira derrotar o meu candidato já no primeiro turno. Vamos deixar que as urnas sejam abertas. Quando as urnas abrirem, quando for estabelecido formalmente o que é da vontade da maioria, nós vamos fazer o debate que é necessário.

Como socialista, a senhora já se movimentou em diversas frentes para manter seus princípios. A Rede faz uma defesa intransigente do ambientalismo, mas ainda se mantém como um partido mais ao centro do que à esquerda. Neste caso, não há uma contradição posta à mesa? A gente sabe que nessa fase do capitalismo, a defesa das questões ambientais vai esbarrar nos limites do sistema político e econômico.

Na verdade, a Rede, quando nasceu como partido, nasce em uma concepção diferente, inclusive da minha formação. Eu me reivindico de esquerda, da esquerda socialista. Tem muitas pessoas que são vistas pela opinião pública como de esquerda, mas não são de esquerda, muito menos socialistas.

Mas vou dar um exemplo de Marina. A gente tem muitas diferenças e se dá muito bem, porque também tem muita gente que fica querendo criar cizânia entre a gente. Marina não se identifica com base no que foi a nossa formação ideológica, que tem que ser centro, direita, esquerda, centro-esquerda e centro-direita. Ela se reivindica sustentabilista.

Então isso, para a gente da Rede, de ser centro-esquerda, não tem nada a ver. Nós, embora eu seja de esquerda – e repito, têm muitas pessoas que se dizem de esquerda e não são de esquerda, patrocinam o servilismo do que pior existe na burguesia nacional – a Rede tem um modelo de organização interna mais vinculada às forças vivas da sociedade, aos movimentos sociais que não se enquadra nessa estruturação que foi a nossa formação política, ideológica.

É por isso que, quando as pessoas dizem assim: “o que é terceira via?” É uma via. A vida, se fosse dividir em pedacinhos, era no mínimo um poliedro. As pessoas não podem analisar as coisas assim, como se fosse uma via, outra via, terceira via. Detesto esse papo de terceira via pelo que, filosoficamente, ideologicamente, esse nome significa. Então, não tem nada a ver.

A Rede incorpora pessoas de esquerda, como eu, e que foram perseguidas implacavelmente – porque eu sou de esquerda, me reivindico de esquerda e não aceito a traição de classe e a subserviência ao grande capital, que é feito por governos que se dizem de esquerda e que não são – ao mesmo tempo, incorpora pessoas como é o caso de Marina e outros, que não aceitam ser caracterizados com essa formatação, que é a formatação, digamos que eu compreendo que, formalmente, deve ser feita. A gente milita muito bem, se respeita profundamente, faz o debate interno com todo o vigor que é necessário e com profundo respeito também.

A senhora tentará, neste ano, uma vaga à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. Esse é um Congresso dos mais conservadores que já tivemos. Como é que deve ser esse embate entre progressistas e conservadores na próxima legislatura? Há alguns institutos, como o impeachment, que tem sido utilizado há algum tempo, como uma ferramenta de pressão. Há quem diga, por exemplo, o Guilherme Boulos, que esteve aqui no programa, falou em um número de 172 deputados que pudessem barrar o impeachment.

É sempre um debate bem complicado, a participação nas instâncias políticas, nos espaços de poder. Primeiro, porque muitas vezes não existe coerência entre o que as pessoas falam ideologicamente, se comprometem socialmente no processo eleitoral e a realidade objetiva dos seus mandatos.

Eu entendo que é de fundamental importância que o nosso campo, o chamado Campo Democrático Popular, possa ter uma participação grande nas instâncias de decisão política e, inclusive, uma participação firme e forte para impedir as relações promíscuas que sempre existiram entre os governos e a banda podre do Congresso Nacional, inclusive o centrão.

Eles chegaram até aqui, reinando impunemente, porque todos os governos fizeram acordos de promiscuidade política, de liberação de emenda, de entrega de cargos, prestígio, espaços públicos de poder para essa canalha.

Então, eles ficaram fortes porque, infelizmente, a fraqueza dos governantes, em ceder a esse balcão de negócios sujos, este propinódromo que sempre foi aceito, às vezes até aceito por parte importante da população, de se achar no fatalismo do fim da história e que, portanto, só tem alternativa se tiver promiscuidade. Porque, ao invés de debater com a população e a buscar para garantir mais permeabilidade no executivo e nos espaços de decisão política e instâncias de poder, prefere os acordos espúrios, sujos e a partilha do aparelho de estado no propinódromo da política.

Eu espero que tenham muitas pessoas do chamado Campo Democrático Popular, muitos parlamentares, é muito difícil. E que sejam não apenas comprometidos, no papel, com a chamada Concepção Democrática Popular, mas que também tenham a coragem e a firmeza que é necessária de não ceder, de não se acovardar diante de qualquer aspecto de traição de classe, de traição da esquerda socialista. E que possam ajudar os governos, empurrar os governos para aquilo que pode significar o melhor para a população.

Brasil de Fato
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