Política

Deus quis que começássemos a entender política a partir de 2018, diz Bolsonaro

No PR, o ex-capitão declarou que, se preciso, irá à ‘guerra’ para defender sua ‘liberdade’: ‘Quero o povo ao meu lado consciente do que está fazendo e por quem está lutando’

Foto: Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu nesta sexta-feira 3 que, mesmo tendo passado cerca de 30 anos no Congresso Nacional como deputado, só em 2018 teria passado a ‘entender política’. A declaração foi feita em evento no interior do Paraná, onde também voltou a dizer que ‘só Deus’ saberia como ele conseguiu ser eleito ao Palácio do Planalto naquele ano.

Só Deus sabe como e por que eu estou aqui. Creio que aquela passagem bíblica que diz que por falta de conhecimento meu povo pereceu, nós estamos superando essa fase. Quis o destino e nosso criador que começássemos a entender política a partir de 2018”, admitiu Bolsonaro.

O ex-capitão voltou ainda a ameaçar, ‘se for preciso’, ir à guerra para defender a sua ‘liberdade’.

“Peço que vocês cada vez mais se interessem por esse assunto [liberdade]. Se precisar, iremos à guerra, mas quero o povo ao meu lado consciente do que está fazendo e por quem está lutando.”

Após afirmar que não poderá permitir que o Brasil siga o caminho de outros países da América Latina – mais adiante ele citou Chile, Venezuela e Argentina, governados pela esquerda –, Bolsonaro disse dar ‘graças a Deus por essa missão de agora’ e que não iria ‘decepcionar ninguém’ na contenção de um avanço da esquerda no Brasil.

Disse também que, durante sua gestão, ‘ladrões de dinheiro’ em Brasília foram substituídos por ‘ladrões que querem roubar a liberdade’. Apesar de não citar nominalmente a quem se refere, a declaração ecoa outros ataques já desferidos por ele aos ministros do Supremo Tribunal Federal.

No discurso, em um trecho com afirmações desconectadas e um tanto confusas, Bolsonaro alertou ainda para ‘ameaças internacionais’ interessadas na produção de alimentos do Brasil. Ele chegou a dizer em um momento que não existe qualquer ‘nação amiga’ do País.

“O mundo todo tem olhado para o Brasil, nós sabemos o que eles querem. Não existe amizade entre nações, existem interesses”, destacou o ex-capitão. “Países outros estão de olho no Brasil, vocês sabem. Não venhamos ceder pensando que eles querem o nosso bem comprando de nós.”

Ainda no evento, Bolsonaro voltou a mentir sobre os efeitos do lockdown na economia brasileira e sobre não existirem denúncias de corrupção em três anos e meio de governo.

Ao fazer a afirmação, porém, ele omite que o seu governo convive com escândalos recentes envolvendo recursos da Educação. Há acusações até de pedidos de propina por pastores para a liberação de verbas a aliados. Segundo um áudio do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o esquema ocorreria com o aval e a pedido de Bolsonaro.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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