Política

Guedes ataca o Fies e diz que até ‘filho de porteiro que zerou o vestibular’ ganhou bolsa

Novas declarações são da reunião do Conselho de Saúde Suplementar, em que o ministro também afirmou que os chineses ‘criaram o vírus’

MINISTRO DA ECONOMIA, PAULO GUEDES. FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
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Novos trechos de declarações do ministro da Economia Paulo Guedes em uma reunião do Conselho de Saúde Suplementar, na terça-feira 27, mostram críticas do ministro ao Financiamento Estudantil, o Fies, e a sugestão de que existam “vouchers para pobres” poderem acessar hospitais privados em vez de públicos.

Ao comentar sobre o Fies, o ministro contou que “o filho do porteiro” de seu prédio teve o financiamento aprovado mesmo “com zero na prova”.

“Deram bolsa para quem não tinha a menor capacidade. Não sabia ler, escrever. Botaram todo mundo. Exageraram. Foi de um extremo ao outro”, disse o ministro na reunião, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira 29.

Ainda sobre educação, o jornal relata que Guedes teceu comentários contraditórios acerca do estado “caótico” de universidades e citou Paulo Freire, educador brasileiro, como exemplo. “Paulo Freire. Ensinando sexo para criança de 5 anos. Maconha, bebida, droga. Dentro da universidade. Estado caótico. Eu prevejo o mesmo fenômeno para a saúde”, declarou.

 

Em outro trecho, Guedes criticou a gestão do SUS, afirmando que a solução seria entregar vouchers de saúde para atendimento em hospitais de elite. “Você é pobre? Você está doente? Está aqui seu voucher. Vai no Einstein, se você quiser”, afirmou, referindo-se ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Adiante, também afirmou, de acordo com o jornal, que quanto mais pessoas fossem para o “outro lado” da saúde – ou seja, aderissem a planos privados -, melhor. Para ele, o serviço público não deve ter a “ilusão” de atender a todos. “Que sejam as melhores [políticas] possíveis. Mas não tenhamos a ilusão de que será possível fazer uma rede pública para atender todo mundo”, disse.

Paulo Guedes não sabia que a reunião era gravada e pediu para “não ir ao ar”, apesar da transmissão nas redes sociais. O Ministério da Saúde posteriormente apagou a publicação com o vídeo.

Da reunião, já saíram outras declarações polêmicas, como a ironia, por parte do ministro, de que todos querem viver cem anos e a afirmação de que “os chineses” teriam “criado o vírus”, mas os americanos fizeram uma “vacina melhor”. Atualmente, a Coronavac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é responsável pela maior parte da campanha de imunização contra a Covid-19 no Brasil.

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