Gleisi defende auxílio, mas critica motivação de Bolsonaro: ‘Acha que voto se compra’

A presidenta do PT também tratou de possíveis alianças que o partido poderá fazer para enfrentar Jair Bolsonaro em 2022

(Foto: Agência Câmara)

(Foto: Agência Câmara)

Política

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, defendeu o pagamento do novo auxílio proposto pelo governo federal de 400 reais, mas criticou as motivações que levaram o presidente Jair Bolsonaro a mudar de posição sobre ajudas sociais neste momento.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira 25, a petista reafirmou que o partido não irá se opor ao projeto no Congresso, mas seguirá defendendo uma melhora no programa, tanto no modelo, quanto no valor.

“Bolsonaro nunca defendeu o Bolsa Família. Ele só está se preocupando agora com o programa, porque isso, na cabeça dele, pode gerar dividendos eleitorais. Nós vamos apoiar o aumento de valor. E vamos continuar defendendo o nosso projeto apresentado em 2020, que é o do Mais Bolsa Família, que prevê o valor de 600 reais”, explicou.

“O Bolsonaro, assim como muitos que o apoiam, tem preconceito contra os pobres. Acha que dando um valor maior, vai ganhar voto e ganhar apoio. Isso não acontece. Não é automático. É desconsiderar a capacidade crítica da população. A população, claro, quer um valor maior, precisa disso, mas sabe que isso não vai resolver o problema […]. É o velho preconceito da visão do Bolsonaro de que voto se compra”, acrescentou.

Segundo Gleisi, o novo programa não é apenas uma alteração no nome e nos valores pagos, mas sim uma mudança estrutural que cria outros obstáculos e acaba com uma série de políticas que, aliadas ao Bolsa Família, objetivavam tirar os brasileiros da miséria. O mesmo teria sido feito, de acordo com a deputada, em outras políticas petistas, como o Minha Casa, Minha Vida, que deu lugar ao Casa Verde e Amarela na atual gestão.

“Bolsonaro não está só trocando de nomes, ele está destruindo os programas. É o que ele está fazendo com o Bolsa Família agora, que sempre foi um programa estruturado e está relacionado com um conjunto de outras medidas para ajudar a tirar pessoas da miséria. É um profundo desrespeito com o povo brasileiro ele achar que, dando um aumento num programa como esse, ele vai ter benefício eleitoral”, destacou Hoffmann.

Na entrevista, Gleisi ainda tratou de possíveis alianças que o PT poderá fazer para enfrentar Jair Bolsonaro em 2022 e voltou a marcar a posição da legenda em favor do impeachment do ex-capitão.

“Não começamos a discutir sobre alianças eleitorais. Temos conversado com o centro, centro-direita, pelo que estamos vivendo. Seria importante se esses partidos viessem para a oposição, independentemente das eleições, nos ajudaria a avançar num pedido de impeachment ou ações contundentes de derrota no Congresso. […] Do ponto de vista eleitoral, obviamente nossa proximidade é maior com o campo da esquerda, PSB, PCdoB, PSOL”, detalhou.

A deputada foi então questionada sobre uma possível aliança com o PDT, de Ciro Gomes, a qual disse ser mais improvável após os ataques do atual candidato do partido.

“Acho que com o PDT está cada vez mais distante pelas posições do Ciro Gomes. Eu lamento porque o Ciro só consegue aparecer quando ataca o Lula ou o PT. É oportunismo”, afirmou.

Sobre o impeachment, Gleisi criticou quem afirma que o seu partido é contrário ao afastamento do atual presidente. De acordo com a parlamentar, o PT “já assinou quatro pedidos de impeachment e aprovou em deliberação interna”, o que afastaria qualquer dúvida sobre a sua posição.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem