Em SP, Bolsonaro volta a ameaçar eleições e diz que não aceitará ‘farsa’

Dias depois de divulgar fake news sobre o sistema eleitoral em uma live, o presidente voltou ao ataque contra as urnas eletrônicas

Foto: Reprodução/SBT

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Política

Jair Bolsonaro voltou, neste sábado 31, a fazer ameaças às eleições de 2022. Após motociata em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, o presidente disse que “queremos eleições, mas não aceitaremos uma farsa como querem nos impor”.

 

 

Trata-se de um novo capítulo de sua pressão, amparada por militares de seu governo, para que o Congresso Nacional aprove o que ele chama de “voto impresso auditável”.

Na última quinta-feira 29, durante transmissão ao vivo nas redes sociais e na TV Brasil, Bolsonaro exibiu o que chamou de “indícios” de que o sistema eleitoral seria fraudulento. O conteúdo apresentado, no entanto, foi rebatido simultaneamente pelo Tribunal Superior Eleitoral nas redes sociais.

“O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Jamais temerei alguns homens aqui no Brasil que querem impor a sua vontade. A vontade do Brasil é a vontade de Deus, e a vontade aqui na Terra é a vontade de cada um de vocês”, disse o chefe do Palácio do Planalto em um palanque neste sábado.

No evento, ele também disse que “rende homenagens aos militares”. Mais uma vez, Bolsonaro ignorou o uso de máscara e promoveu uma aglomeração.

Apesar da pressão e das ameaças, a obsessão de Bolsonaro pelo voto impresso não tem caminho fácil para prosperar na Câmara dos Deputados. Na sexta-feira 30, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em evento virtual organizado pelo site ConJur: “A questão do voto impresso está tramitando na Comissão Especial, o resultado da comissão impactará se esse assunto vem ao plenário ou não. Na minha visão, tudo indica que não”.

Na mesma live, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, declarou que o debate sobre o ‘voto impresso auditável’ é uma “conversa fiada”.

“Essa ideia de que, sem voto impresso, não podemos ter eleições ou não vamos ter eleições confiáveis, na verdade, esconde talvez algum tipo de intenção subjacente, de uma intenção que não é boa”, disse.

“Se de fato nós temos tanta certeza de que não há problemas no voto impresso, seria melhor voltar para o voto manual, com que nós tivemos inúmeros problemas, inclusive na contabilização e depois no fenômeno que nós conhecemos do mapismo. Portanto, vamos parar um pouco de conversa fiada. Claro que todos nós somos favoráveis à auditabilidade da urna, queremos que seja auditável, e ela é auditável”, completou Gilmar.

 

Os custos da motociata

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que passa de 300 mil reais o total gasto com o reforço do policiamento para a motociata.

Segundo o órgão, o efetivo foi reforçado com cerca de 450 policiais militares ao longo de todo o percurso do ato. As ações serão monitoradas por PMs que carregam câmeras operacionais portáteis, por drones e pelo helicóptero Águia da região.

Na última quarta-feira 28, o juiz Darci Lopes Beraldo proibiu a realização de um evento para recepcionar o presidente no município. A prefeitura havia autorizado a festa, à qual compareceriam cerca de duas mil pessoas.

Beraldo, porém, acatou uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo, que alegou desrespeito às regras sanitárias. Ele também estabeleceu uma multa de 2 milhões de reais em caso de descumprimento da decisão.

 

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