Política

Eduardo Bolsonaro é denunciado no Conselho de Ética por falar em “ruptura institucional”

Partidos de oposição acusam o filho do presidente Jair Bolsonaro de quebra de decoro parlamentar

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Foto: Cleia Viana/Agência Câmara
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Foto: Cleia Viana/Agência Câmara
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Partidos de oposição denunciaram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Conselho de Ética da Câmara por uma declaração ao canal Terça Livre, em que afirmou que uma “ruptura institucional” é inevitável no Brasil. Na ocasião, o parlamentar criticava o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga apoiadores do presidente Jair Bolsonaro por disseminação de fake news.

No documento, as legendas PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede acusam Eduardo de quebra de decoro parlamentar, por demonstrar “caráter autoritário e saudosista da ditadura civil-militar” ao dizer que “não é mais uma opinião de ‘se’, mas de ‘quando'” a cisão democrática vai ocorrer.

As siglas escrevem que o discurso de Eduardo deixa claro que há em curso uma articulação orientada por ele e pelo presidente da República, “na tentativa de deflagrar uma ruptura institucional, com graves consequências para a democracia brasileira”.

Não é a primeira representação no Conselho de Ética em que Eduardo é acusado de atentar contra a democracia. Outra denúncia analisada trata da incitação do parlamentar ao anúncio do Ato Institucional nº 5 (AI-5), durante entrevista ao programa da jornalista Leda Nagle em seu canal no YouTube.

Nos últimos dias, aliados do chefe do Palácio do Planalto fizeram uma série de declarações que apontam para a possibilidade de uma ruptura no sistema democrático do país. Em 21 de maio, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) defendeu a intervenção militar, durante discurso em plena tribuna da Câmara.

Em 22 de maio, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmou que o STF pode ser o culpado por “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”, caso autorize a apreensão do celular de Bolsonaro para perícia.

Dias depois, em 24 de maio, dezenas de militares mencionaram a possibilidade de “guerra civil” em uma carta ao ministro Augusto Heleno. No documento, os oficiais atacam o STF e manifestaram solidariedade ao general.

O próprio presidente da República falou abertamente em armar a população para fortalecer os protestos contra governadores e prefeitos. Em reunião ministerial de 22 de abril, gravada em vídeo divulgado pelo STF, Bolsonaro critica os decretos de isolamento social como forma de combate ao coronavírus.

Victor Ohana

Victor Ohana Repórter do site de CartaCapital

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