Educação

Ribeiro diz que, a pedido de Bolsonaro, prioriza prefeitos ‘amigos de pastores’ com verbas do MEC

Em áudio, o ministro afirma, sem constrangimento, que o governo receberá o apoio das igrejas em troca de dinheiro liberado pela Educação

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
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Um áudio do ministro da Educação, Milton Ribeiro, divulgado na terça-feira 22 pelo jornal Folha de S. Paulo, não apenas traz novas confirmações da atuação de dois pastores como articuladores de um esquema informal de liberação de recursos da pasta, como revela que o grupo atuava em Brasília com o aval do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O “lobby” de pastores no Ministério da Educação, exercendo influência sobre a agenda do ministro e políticas públicas, foi revelado em reportagem recente do jornal O Estado de S. Paulo. O caso também se tornou alvo de representação no Tribunal de Contas da União e de um pedido de convocação do ministro para depor na Câmara dos Deputados, assinado por Rogério Correia (PT-MG).

Na gravação desta terça, Ribeiro diz que prioriza as prefeituras indicadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, líderes da Igreja Ministério Cristo para Todos, para atender a uma solicitação de Bolsonaro.

Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz Ribeiro na gravação da reunião entre ele, prefeitos e os dois líderes religiosos.

“Minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos que são amigos do pastor Gilmar”, reforça o ministro durante a reunião.

Na gravação, Ribeiro ainda diz que o governo Bolsonaro receberá o apoio das igrejas em troca das verbas liberadas pelo MEC aos prefeitos aliados.

“Então o apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser [inaudível] é apoio sobre construção das igrejas”, explica o ministro sem fornecer muitos detalhes de como se dará este apoio.

Até o momento, há indícios de que o ‘gabinete paralelo’ montado pelos dois pastores atua no MEC desde janeiro de 2021. Os recursos negociados por Gilmar e Arilton são geridos pelo FNDE, comandado atualmente por nomes ligados a políticos do Centrão.

Questionados, o governo federal e o FNDE não responderam. Os pastores Gilmar e Arilton também optaram por não se manifestar sobre o caso. Os dois aparecem ao lado de Bolsonaro desde 2019, participando de agendas oficiais e discursando em eventos como se fossem integrantes do governo federal.

Gilmar Santos e Arilton Moura em evento oficial do governo ao lado de Bolsonaro.
Foto: Carolina Antunes/PR

Arilton chegou a viajar em um avião da Força Aérea Brasileira ao lado de Milton Ribeiro para um evento oficial em Alcântara (MA).

CartaCapital
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