Política

Criticado por viagens, Bolsonaro agradece ‘estadia gratuita’ em hotel de luxo no Bahrein

A intenção do vídeo era mostrar ‘respeito pelo dinheiro público’, mas revela tentativa desesperada de afastar suspeitas sobre seus gastos

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O presidente Jair Bolsonaro exibiu nas redes sociais nesta terça-feira 16 detalhes do luxuoso hotel em que está hospedado em Manama, capital do Bahrein, na sua passagem pelo Oriente Médio. A intenção do vídeo era mostrar que não pagou pela estadia. Nas entrelinhas, porém, há uma tentativa de afastar suspeitas e críticas sobre seus gastos com viagens internacionais.

Em vídeo, depois de mostrar o espaço com empolgação digna de corretor de imóvel, o ex-capitão questiona o assessor: “Preço do apartamento?” e recebe de imediato a resposta “46 mil”. O curto diálogo serve então como gancho para o discurso de ‘respeito ao dinheiro do povo’ que se desencadeia.

“Nós sabemos como vive o Brasil. Poderia eu pagar este hotel aqui, sem problema nenhum. Quem estaria bancando era você contribuinte pelo Ministério das Relações Exteriores. ”, disse Bolsonaro. “Mas assim como aconteceu agora pouco nos Emirados Árabes Unidos, essa despesa aqui vai ser custeada pelo rei do Bahrein.”

Ao exibir o hotel alegadamente pago pelo rei, Bolsonaro também omite que uma grande comitiva o acompanha no local — certamente não sem custos aos cofres públicos.

Gastos sob sigilo

Desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o governo, não é possível saber detalhes dos gastos de seu cartão corporativo. Alegando segurança, o presidente impôs sigilos aos itens de suas compras.

Passeios recentes do presidente, muito menos luxuosos do que o hotel, e outros episódios contradizem o que o presidente busca comunicar no vídeo do hotel. Os arroubos golpistas do 7 de Setembro, por exemplo, custaram aos cofres públicos mais de 655 mil reais.

Os detalhes das compras não são especificados, sendo possível saber apenas que foram custeados segurança, alimentação, transporte e infraestrutura para que Bolsonaro visse uma bandeira sendo hasteada em Brasília e ameaçasse não cumprir decisões do Supremo em São Paulo.

As motociatas também são outros bons exemplos de que o apreço pelo dinheiro público fica apenas no campo discursivo. Até o momento as informações reunidas por leis de acesso dão conta de um montante que chega quase aos 3 milhões de reais.

Há menos de um mês, no mesmo Oriente Médio agora mostrado por Bolsonaro, uma comitiva de 69 integrantes da atual gestão passeou por Dubai ao custo de, no mínimo, 3,6 milhões de reais. O caso fez com que deputados da oposição fossem ao Tribunal de Contas da União contra o governo.

Getulio Xavier

Getulio Xavier Repórter do site de CartaCapital

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