CPI da Covid: Senador protocola pedido de quebra dos sigilos de Carlos Bolsonaro

Para Alessandro Vieira, 'causa espécie o fato de um vereador ser chamado a participar em decisões que devem ser tomadas pelo Governo'

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Sergio Lima/AFP

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Sergio Lima/AFP

Política

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou nesta segunda-feira 17 um requerimento para que a CPI da Covid quebre os sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.

 

 

O objetivo de Vieira é lançar luz sobre as acusações de que havia um ‘Ministério da Saúde paralelo’ em funcionamento no governo Bolsonaro, inclusive com a participação de Carlos.

Ao justificar a apresentação do requerimento, o parlamentar do Cidadania cita o depoimento prestado à CPI pelo CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Na oitiva, escreve Vieira, Murillo “afirmou que reunião para debater detalhes de acordo de referida farmacêutica com o Governo contou com a presença do Sr. Carlos Bolsonaro, filho do Presidente da República e vereador no município do Rio de Janeiro”.

“Causa espécie o fato de um vereador ser chamado a participar e opinar em decisões que devem ser tomadas pelo Governo Federal, com o apoio de especialistas em saúde. Nesse sentido, é necessário esclarecer os exatos termos em que se deu sua atuação na negociação de vacinas não só no momento da reunião aludida pelo ex-presidente da Pfizer como também em ocasiões anteriores e posteriores”, acrescentou.

Vieira ainda argumenta que “a transferência de sigilo dos dados ora solicitados desde março de 2020, mês em que a pandemia se iniciou massivamente no país, permitirá identificar os contornos da participação do vereador durante todo o período da pandemia em discussões nas quais deveriam tomar parte apenas os membros do Governo e autoridades de notório reconhecimento na área da saúde”.

Sustenta também que “faz-se igualmente necessário avaliar a movimentação financeira do Sr. Carlos Bolsonaro desde o início da pandemia, aferindo-se se houve acréscimo em seu patrimônio que tenha sido compatível com a sua capacidade econômica, de modo a afastar qualquer dúvida a respeito de eventual locupletamento ilícito”.

Alessandro Vieira protocolou no último dia 14 de maio um requerimento de convocação de Carlos Bolsonaro. Nesta segunda, os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) apresentaram outra solicitação, com o mesmo teor.

Todos os requerimentos têm de ser aprovados pela maioria dos 11 integrantes da CPI.

 

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