Política

Confira os destaques do último debate entre Lula e Bolsonaro no 2º turno

O encontro, promovido pela TV Globo no Rio de Janeiro, marca o virtual encerramento da campanha

Foto: Mauro Pimentel/AFP
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O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e o postulante do PL, Jair Bolsonaro, estiveram frente a frente nesta sexta-feira 28 para o último debate antes do segundo turno, promovido pela TV Globo no Rio de Janeiro.

O encontro, a marcar o virtual encerramento da campanha, teve cinco blocos: dois com temas livres, dois com temas determinados e um com as considerações finais.

Confira os destaques:

Considerações finais

Lula encerrou o debate com a afirmação de que pode “restabelecer a harmonia no País”.

“Possivelmente, os melhores momentos que o País viveu nas últimas décadas foi no tempo em que eu governei o País”, declarou. “A cultura funcionava, a educação funcionava, o povo trabalhava, o salário aumentava. E a gente pode reconstruir esse país. Depende única e exclusivamente de você ir votar no domingo.”

Bolsonaro mencionou a facada sofrida em 2018, “não permitindo que minha filha Laura fosse órfã”.

“Agradeço a Deus pela missão de comandar este país nos momentos mais difíceis da humanidade. E se essa for sua vontade, estarei pronto para cumprir com mais um mandato de deputado federal… De presidente da República”, prosseguiu. Ainda mencionou aborto, drogas e propriedade privada, em uma repetição dos clichês de sua campanha.

Meio ambiente

“Bolsonaro sabe que reduzimos o desmatamento da Amazônia durante uma década em quase 80%, enquanto a agricultura crescia em média 2%. Evitamos lançar na atmosfera 5 bilhões de toneladas de CO2”, disse Lula após o ex-capitão exaltar seu governo na agenda ambiental.

O candidato à reeleição, por sua vez, afirmou que “dois terços do solo do Brasil estão preservados, da mesma forma de quando Pedro Álvares Cabral chegou aqui”.

Lula defendeu que o País precisa “caminhar para a energia limpa” e prometeu “fazer muito mais”. Bolsonaro declarou que meio ambiente “tem que vir com saneamento também, e já reduzimos 800 lixões no Brasil”.

Pix?

“Você aí tem Pix? Que maravilha, hein? Foi o nosso governo”, alegou Bolsonaro.

O governo Bolsonaro, porém, não criou o Pix. O início do desenvolvimento do sistema ocorreu ainda durante a gestão de Michel Temer (MDB), quando Ilan Goldfajn era presidente do Banco Central. A gestão de Roberto Campos Neto deu continuidade à agenda e o sistema foi lançado em novembro de 2020.

O fantasma do comunismo

Bolsonaro chamou Lula de “comunista” no quarto bloco. Sem surpresas. Cuba, Venezuela, aborto e “ideologia de gênero” já foram mencionados pelo presidente.

Emprego abre o quarto bloco

Bolsonaro iniciou o quarto bloco exaltando seu governo na geração de empregos.

Lula afirmou que “mudaram as lógicas da medição de empregos: colocaram MEI como se fosse emprego, colocaram emprego informal como se fosse emprego. No meu tempo, medição de emprego era com carteira de trabalho assinada”.

50 tons de Jefferson

Bolsonaro muda sua versão sobre Roberto Jefferson de acordo com a conveniência. No domingo 23, dia da prisão do extremista de direita, o ex-capitão tentou negar a proximidade com o aliado: “Não tem uma foto dele comigo. Não tem nada”.

O presidente foi rapidamente desmentido. Há diversos registros dos dois juntos.

Nesta noite, ele afirmou, então, não ter fotos com Jefferson “por ocasião das eleições”.

Preconceito do ex-capitão

Bolsonaro afirmou que Lula foi ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, “para se encontrar com os chefes do narcotráfico” e que “ninguém entra lá sem estar acompanhado da polícia”.

“Fui ao Complexo do Alemão visitar gente extraordinária, porque sou o único presidente a ter coragem moral de entrar em uma favela antes e depois, ser tratado como ser humano e tratar todo mundo com respeito. Todo mundo ali gente trabalhadora, extraordinária, que quer chance de estudar e não ser vitimado pela polícia”, devolveu o petista.

“Direito de resposta”

O comunicador Renê Silva ironizou o preconceito de Bolsonaro contra o Complexo da Alemão e pediu, nas redes sociais, um direito de resposta. No debate, o presidente acusou Lula de só se encontrar com narcotraficantes no local. Silva foi um dos organizadores da agenda com o petista.

Clichês bolsonaristas

No terceiro bloco, Bolsonaro decidiu voltar a atacar… Cuba. Sem provas, alegou que os profissionais cubanos do Mais Médicos não tinham competência para trabalhar no Brasil.

“Quando eu ganhei a eleição, eles foram embora. Porque sabiam que eu aplicaria a prova do Revalida. O pessoal não entendia nada, estava aqui para ganhar dinheiro para Cuba.”

Terceiro bloco começa com saúde

Lula levou ao centro do debate o negacionismo de Bolsonaro na pandemia. “Por que a negligência? Por que passar 45 dias negando a vacina? Por que negar a doença? Por que esconder o seu cartão de vacina? Por que tirar dinheiro do Farmácia Popular?”, perguntou o petista.

Bolsonaro alegou não ter atrasado a compra de imunizantes e afirmou que o Brasil foi “uma referência” para o mundo no assunto.

Lula declarou que Bolsonaro “não foi a um hospital e não foi visitar uma pessoa que perdeu um parente” para a Covid-19.

“Ele sabe que um dia vai bater na consciência dele a responsabilidade de pelo menos metade das pessoas que morreram”, disse o ex-presidente. Ainda afirmou que Bolsonaro foi ao enterro da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, enquanto “tinham 680 mil pessoas esperando um gesto de humanismo que ele não teve”.

Segundo direito de resposta

Lula ganhou um direito de resposta no segundo bloco.

“Fiz uma pergunta sobre fatos da Reforma da Previdência, que prejudicou os aposentados”, afirmou o petista. “Prejudicou principalmente a pensionista, que vai receber metade agora. E o trabalhador aposentado vai ganhar menos do que ganhava, porque mudou a base de cálculo. Eu só perguntei isso a ele”.

Bingo do ex-capitão

Bolsonaro já se manifestou sobre Cuba, Venezuela, aborto, legalização das drogas e “ideologia de gênero”. Sem surpresas (e este é apenas o segundo bloco).

Pauta de “costumes”

Bolsonaro acusou Lula de ser “abortista”.

“Eu sou contra o aborto e as minhas mulheres foram contra o aborto. Minha mulher é contra o aborto. Eu respeito a vida”, respondeu o ex-presidente.

“A sua emissora”

Bolsonaro alegou que a Jovem Pan teria sido “censurada” pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“A Jovem Pan, por acaso, é aquele seu canal de televisão?”, respondeu o petista.

Nos últimos dias, o TSE determinou que a Jovem Pan concedesse direitos de resposta ao PT por “divulgação de ofensas e fatos sabidamente inverídicos contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva”.

O presidente do Tribunal, Alexandre de Moraes, assinou nesta semana mais duas decisões que garantem a Lula direitos de resposta na emissora. Os despachos foram publicados nesta sexta-feira 28.

Respeito à Constituição

Bolsonaro alegou ter “matado no peito” decisões “absurdas” da Justiça, “sem sair das quatro linhas da Constituição”. Sugeriu que Lula defende “invasão de terras”.

O petista devolveu: “O cidadão diz que respeita a Constituição. Ele vive todo santo dia ameaçando ministro da Suprema Corte, ameaçando que não vai respeitar decisão, xingando pessoalmente ministros da Suprema Corte. Ele não tem respeito pela Constituição”.

Negacionismo econômico?

Bolsonaro voltou a colocar em xeque os 33 milhões de famintos no Brasil.

“Tem gente passando fome, mas não nesse número”, sugeriu.

Publicado no início de junho, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil alertou: são 33,1 milhões de pessoas a passar fome no País, o mesmo nível de 30 anos atrás.

Segundo bloco começa com economia

Lula abriu o segundo bloco relembrando o legado de seu governo na economia. “Por que o povo ficou tão miserável depois que você assumiu a Presidência?”, perguntou o petista a Bolsonaro.

O presidente mencionou a pandemia e alegou ter reduzido a extrema pobreza.

“Extrema pobreza é que ganha até 1,9 dólar por dia, ou seja, 10 reais por dia. O Auxílio Brasil paga 20. Quem está com dificuldade é só se cadastrar no Auxílio Brasil”, disse Bolsonaro.

Bonner explica

O mediador do debate, William Bonner, reforçou: Lula é inocente e não deve nada à Justiça. Atacado por Bolsonaro, o apresentador da Globo teve de relembrar as decisões do Supremo Tribunal Federal a favor do petista.

Primeiro direito de resposta

Lula teve um minuto de direito de resposta no fim do primeiro bloco, devido a ataques de Bolsonaro.

“Sempre achei que os debates seriam um momento de engrandecimento da consciência política. Imaginei que a gente poderia debater os temas de interesse nacional, mas esse cidadão se preparou para vir aqui preocupado com programas de televisão a que eu não assisto, porque eu tenho o que fazer”, disse o petista. “Eu estava na rua, conversando com o povo, abraçando as pessoas.”

Prioridades

“Eu só quero que ele explique por que passou quatro anos sem aumentar o salário mínimo e a merenda escolar. Por que ele isolou o Brasil do mundo”? perguntou Lula no fim do primeiro bloco. O petista levou a crise econômica ao centro da discussão em diversos momentos.

Bingo do ex-capitão

No primeiro bloco, Bolsonaro fez a primeira menção a Cuba e Venezuela. É um clichê nos discursos do candidato à reeleição.

Roberto Jefferson é Bolsonaro

“Ele tentou esconder o Roberto Jefferson, o pistoleiro dele, o homem das armas, o homem de confiança dele. O homem que recebeu a Polícia Federal a tiros”, afirmou Lula, após Bolsonaro mencionar ex-ministros petistas que passaram pela prisão.

Bolsonaro ataca a Globo 

O ex-capitão afirmou que o apresentador William Bonner poderia ser “indicado para o Supremo Tribunal Federal”. Também alegou que Lula foi “descondenado por um amigo do Supremo Tribunal Federal”. Bolsonaro, porém, mente: a decisão que devolveu os direitos políticos a Lula foi tomada pela maioria do plenário da Corte.

Imóveis em dinheiro vivo

Bolsonaro acusou Lula de embolsar dinheiro ilegal.

“Grana para o bolso o brasileiro sabe quem levou: Jair Bolsonaro e sua família. A quantidade de imóveis que eles compararam e a quantidade de rachadinha não estão na conta do Lula”, devolveu o petista.

Temer na mira

Lula relembrou o golpe ao ser questionado sobre as condições econômicas do País em 2015 e 2016.

“Bolsonaro se esquece de que herdou a Presidência de um golpista que deu o golpe junto com ele. Não foi da presidenta Dilma. Ele recebeu o governo de um golpista chamado Michel Temer.”

Ataques

Bolsonaro alegou que grandes redes de televisão e o Supremo Tribunal Federal estariam contra ele. Ele levou ao debate a suposta irregularidade na inserção de suas propagandas por emissoras de rádio. O Tribunal Superior Eleitoral já apontou a falta de indícios mínimos a sustentar as acusações.

Pandemia

Bolsonaro atacou, mais uma vez, as medidas restritivas impostas por prefeitos e governadores durante o período mais grave da pandemia da Covid-19. O ex-capitão dobra a aposta no negacionismo.

Primeiras provocações

Bolsonaro chamou Lula de “mentiroso” por afirmar que o governo não reajustaria o salário mínimo acima da inflação.

“O povo brasileiro sabe quem é mentiroso”, devolveu Lula. “Vi uma revista dizendo que ele mentiu 6.489 vezes durante o mandato.”

Início do debate

Bolsonaro abre o encontro afirmando que iniciou o mandato, em 2019, com “sérios problemas éticos morais e econômicos, em grande parte herdados dos governos do PT”. Prometeu que o salário mínimo terá aumento real, ou seja, acima da inflação, a partir do ano que vem.

Em sua primeira intervenção, Lula disse que não está no debate “como candidato só meu, mas em nome de 10 partidos políticos e de toda a sociedade que defende a democracia”. Defendeu as mulheres, os trabalhadores, os estudantes e os negros.

“Não sei o que o nosso adversário está vendo, porque a verdade nua e crua é que o salário mínimo dele hoje é menor do que o de quando ele entrou. No meu governo, aumentei o salário mínimo em 74%. Ele apenas concedeu a inflação”.

Lula ainda afirmou que Bolsonaro não ampliou os reajustes para garantir a merenda escolar e reforçou o drama econômico a se abater sobre a população.

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