Justiça

Como o andamento do Caso Master embaralha as ofensivas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro

No PT, uma ala defende que Jaques Wagner se explique longe do governo. No PL, a ordem é baixar o tom para tentar separar Flávio de Vorcaro, a quem chamou de ‘irmão’

Como o andamento do Caso Master embaralha as ofensivas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro
Como o andamento do Caso Master embaralha as ofensivas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro – Fotos: Sergio Lima/AFP e Daniel Ramalho/AFP
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A fase mais recente da Operação Compliance Zero embaralhou a estratégia eleitoral em torno do escândalo do Banco Master. Até aqui, o caso vinha sendo um problema mais incômodo para a direita, pela densidade das relações políticas, pessoais e financeiras entre Daniel Vorcaro e figuras do campo bolsonarista ou de seu entorno. A ofensiva contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos quadros mais graúdos do PT, muda esse cenário — não porque reescreva a natureza política do escândalo, mas porque leva o desgaste para a antessala do Palácio do Planalto.

Wagner tornou-se o primeiro aliado do núcleo de Lula a ser alvo de buscas na investigação. A Polícia Federal suspeita que vantagens econômicas tenham sido destinadas ao senador por meio de empresas ligadas ao seu núcleo familiar e da aquisição de um apartamento em Salvador. O senador nega irregularidades.

No PT, a ordem é tentar impedir que as suspeitas respinguem em Lula. Uma ala petista defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para reduzir o custo político da crise. O senador, porém, desconversa. Lula, amigo de Wagner há décadas, ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.

Já o PL tenta explorar a chegada da investigação ao entorno de Lula, mas precisa separar Flávio Bolsonaro de um banqueiro a quem ele chamou de “irmão”, visitou durante sua prisão domiciliar e de quem teria obtido 134 milhões de reais para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A proximidade entre os dois tornou-se um escândalo que fez derreter nas pesquisas a candidatura do senador.

Nos bastidores da campanha de Flávio, a avaliação é que o caso deve ser explorado de forma pontual, sem transformá-lo no eixo da disputa. Aliados dizem que insistir demais no escândalo pode reacender questionamentos sobre a própria relação de Flávio com o banqueiro do Master.

A amplitude das relações de Vorcaro ajuda a explicar por que o escândalo deixou de ser uma arma de uso exclusivo e se tornou um problema para praticamente todos os polos de poder em Brasília.

Até aqui, a investigação já havia alcançado o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Conversas apreendidas pela Polícia Federal mostram uma relação de proximidade entre ambos, incluindo viagens internacionais e troca frequente de mensagens.

Também surgiram nas investigações referências ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que mantinha contato constante com Vorcaro e participou de eventos promovidos pelo banqueiro.

Outro personagem citado ao longo das apurações é o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele procurou Vorcaro para liberar um crédito de 22 milhões de reais para a sua cunhada e viajou às custas do banqueiro para Lisboa, em Portugal. O deputado nega irregularidades.

No caso de Flávio Bolsonaro, porém, a exposição é mais direta. Mensagens divulgadas ao longo dos últimos meses mostram não apenas uma relação pessoal com Vorcaro, mas palavras de apoio enviadas ao banqueiro durante as investigações. 

O resultado é um cenário eleitoral em que nenhum dos principais campos consegue transformar o caso Master em munição limpa contra o adversário. O PT tenta sustentar que a relação entre Flávio e Vorcaro é mais profunda e atinge diretamente o próprio candidato à Presidência. O PL, por sua vez, aposta que a chegada da investigação ao entorno de Lula enfraquece o discurso ‘Bolsomaster’ petista.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo