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Vorcaro insiste em poupar os amigos. Ainda assim, a coisa só piora para os Bolsonaro e o Centrão

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Nogueira e Vorcaro, amizade internacional. Mendonça é a esperança do bolsonarismo, mas Flávio e Eduardo são mestres na autossabotagem – Imagem: Buda Mendes/Getty Images/AFP, Gustavo Moreno/STF e Redes Sociais
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Em abril de 2025, quando ainda não havia ido em cana e apelava à sua rede de relações no poder para tentar salvar o Banco Master, Daniel Vorcaro mandou uma mensagem pelo celular à namorada: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”. Vorcaro é neto de um imigrante italiano. Lá existe entre os mafiosos um código de silêncio conhecido como ­Omertà. Ninguém deve cooperar com as autoridades, revelar ilícitos, denunciar colegas de crime, mesmo se cair nas garras da lei. Preso preventivamente desde março por vigarices da hoje finada instituição financeira, o ex-banqueiro mineiro negocia há tempos uma delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, na esperança de escapar da cadeia e salvar parte da fortuna. E o faz de forma paradoxal. Com ele, até aqui vale a Omertà. Não confessa delitos nem quer entrega parceiros, principalmente se forem da política. O responsável pelo maior escândalo financeiro da história brasileira parece achar-se mais esperto do que as autoridades e que se safará de algum jeito, basta deixar o tempo passar.

A atitude levou a PF a recusar nos últimos dias mais uma proposta de colaboração premiada, a segunda negativa em um mês. A Procuradoria-Geral da República tendia a repetir a dose, embora não houvesse confirmação por lá nem nos bastidores até a conclusão desta reportagem, na manhã da quinta-feira 11. Na sexta-feira 12, venceria o prazo dado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para que os advogados de Vorcaro pudessem falar com o cliente até oito horas diárias. A menos que o relator do caso Master esticasse o benefício, as conversas passariam a ser de, no máximo, meia hora por dia. O ex-banqueiro corria o risco ainda de deixar uma cela especial e ir para uma comum na carceragem da PF em Brasília, vaivém visto desde a negociação da primeira de delação, no início de maio, rejeitada pela polícia e pelo Ministério Público por conta das mesmas razões que prenunciavam igual desfecho agora. Vorcaro não conta nada que os investigadores já não saibam nem explica como pagaria a multa do acordo. As falcatruas foram tamanhas que são espantosas as cifras a circular sobre o pecúnio. Algo entre 40 bilhões e 60 bilhões de reais. Como teriam sido calculadas? Duas pistas. Primeira: a despesa do Fundo Garantidor de Crédito para ressarcir os clientes do Master após a liquidação da instituição pelo Banco Central, cerca de 40 bilhões. E o gasto do BRB, banco estatal de Brasília, com carteira de crédito fajuta do ­Master, 12 bilhões. A multa a um delator costuma embutir o prejuízo causado à sociedade e, também, uma espécie de castigo, para desencorajar novos crimes. Na PF, a informação é que, mais importante do que a quantia, é saber como, quando e onde Vorcaro providenciaria os recursos. O ex-banqueiro e alguns parentes estão com os bens bloqueados, o Master foi fechado.

A PF e a PGR não veem novidades nas informações prestadas até o momento pelo banqueiro

Para um advogado criminalista atuante em Brasília, os valores discutidos não são apenas espantosos. Permitem supor duas hipóteses. Ou Vorcaro prestou serviços a facções como PCC e Comando Vermelho e conseguiria os recursos com elas ou então tem protegido gente poderosa e graúda que se encarregaria de honrar a multa em troca do silêncio do cúmplice. E quem ganha com o silêncio protetor? O Centrão, caraterização inadequada para um grupo político que na essência é direitista, e o clã Bolsonaro.

A extrema-direita queria uma delação que enlameasse o PT, para trombetear que o Master é um escândalo suprapartidário. Compreensível. O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do capitão e pré-candidato a presidente, tinha relação íntima com Vorcaro, a quem chamava de “irmão” e pediu dinheiro para financiar um filme sobre o pai, conforme revelou o site The Intercept Brasil em maio. O mesmo veículo revelou o fluxo dos 10 milhões de dólares usados supostamente para bancar a película. Na verdade, os recursos foram parar em fundos ligados a Eduardo, o filho 03, deputado cassado e autoexilado nos Estados Unidos, onde cometeu crimes de lesa-pátria e, por consequência, será julgado à revelia pelo STF. Não bastasse, a revelação da intimidade e da conjunção carnal com Donald Trump, cujo governo anunciou outro tarifaço ao Brasil e ameaçou o Pix, foi um mau negócio para o senador. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira 10, em consonância com outros levantamentos, um deles censurado por Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, mostra o aumento da distância entre o 01 e o presidente Lula. São 10 pontos de vantagem para o petista no primeiro turno e 6 na segunda volta. Mais: 16% dos entrevistados acreditam que o clã Bolsonaro é o mais afetado negativamente pelo caso Master, enquanto para 10% é o governo. No levantamento anterior à divulgação das conversas de Flávio com Vorcaro, dava 11% a 9% de responsabilidade atribuída ao governo.

Uma das operações policiais no Rioprevidência, fundação generosa com o Master – Imagem: Polícia Federal

Certos conteúdos da nova proposta de delação vieram a público após começarem a correr os rumores de que ela seria rejeitada pelas autoridades. O ex-banqueiro teria dito não haver nada ilegal no financiamento do filme Dark Horse. ­Omertà na veia. Fontes da PF creem que os vazamentos foram obra dos advogados do mineiro, em uma tentativa de usar a mídia para forçar o acordo. Segundo os vazamentos, Vorcaro teria detalhado as relações com o senador Ciro Nogueira, chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro, presidente do PP e um dos líderes do Centrão. E também com Cláudio Castro, do PL, ex-governador bolsonarista do Rio de Janeiro. Dois figurões que a polícia não precisava de confissões para colocar na mira. Os celulares do ex-banqueiro apreendidos pela PF são fontes de indícios e provas. Graças a eles, os federais realizaram batidas contra Nogueira e Castro em maio. A dupla é acusada de receber propina para defender os interesses de Vorcaro. O senador propôs no Congresso mudar a Constituição para ampliar os limites do FGC, iniciativa na medida para o Master. Já o fundo de previdência dos servidores fluminenses injetou bilhões no banco quando este já estava à beira do abismo.

O comando do Rioprevidência foi nomeado por Castro em um acordo com Antonio Rueda, cacique máximo do partido União Brasil. Rueda é um sujeito poderoso, embora não tenha um único voto, nunca tenha concorrido a nada, observa um juiz do Supremo. Sua especialidade, prossegue o togado, parece ser encontrar meios de lavar dinheiro sujo da política. A proposta de delação de Vorcaro o cita como alguém que teria recebido recursos, via escritórios de advocacia, embora sem esclarecer a troco de quê. Outro mencionado, segundo os vazamentos, é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que teria sido financiado por Vorcaro via caixa 2 na derrotada campanha ao Senado pelo PSD de Minas Gerais em 2022. Surpreende que não haja mais nomes do mundo político mineiro associados às falcatruas.

A PF desconfia que os advogados de Vorcarotêm vazado informações para impedir a rejeição da delação

Conforme outro vazamento, Vorcaro teria dito que o PT da Bahia, no poder no estado desde 2007, também teria recebido pagamentos. Eis um flanco que o bolsonarismo queria usar contra Lula e o governo no caso do Master. A ligação do petismo baiano com Vorcaro não é direta. Em 2018, a Bahia privatizou uma rede pública de supermercados. O Master não existia, seria autorizado a funcionar em 2019 pelo Banco Central. O comprador da rede foi uma empresa pertencente a um empresário baiano, Augusto Lima, que se tornaria sócio de Vorcaro no Master posteriormente, entre 2019 e 2020.

Apesar do flanco baiano, uma testemunha de reuniões presidenciais do ano passado sobre o escândalo do ­Master conta que Lula incentivou todo o tempo as investigações da PF, por acreditar que atingiriam um certo quinteto: Nogueira, Rueda, o senador Davi Alcolumbre, comandante do Senado, e os deputados Hugo Motta, presidente da Câmara, e Arthur Lira, o ex. A fina flor do dito Centrão, bloco político que instituiu um parlamentarismo disfarçado graças à explosão de verbas para emendas parlamentares, em especial a partir do governo Bolsonaro. Após o estouro do escândalo do Master, em novembro passado, um dirigente de uma grande entidade bancária comentou com um político do Distrito Federal que o caso era um “tiro na testa” de figurões políticos e elencou o mesmo quinteto mencionado por Lula.

Cláudio Castro ordenou os investimentos do fundo de pensão fluminense. Costa (de blazer preto) está pronto a denunciar Rocha. E Nunes Marques apela para a censura de pesquisas – Imagem: Gustavo Moreno/STF, Agência Brasília, Lúcio Bernardo/Agência Brasília e Tomaz Silva/Agência Brasil

A investigação assombra Alcolumbre, integrante do União Brasil de Rueda, por causa do tesoureiro de sua campanha ao Senado em 2022. Jocildo Silva Lemos assumiu no ano seguinte o comando do fundo de previdência dos servidores do Amapá, por um acordo de Alcolumbre com o governador aliado, Clécio Luís. Um irmão do senador, Alberto Alcolumbre, é do conselho fiscal do Amprev. Em 2024, o Master­ ficou à beira do abismo, e a entidade comprou 400 milhões de reais em títulos do banco. É proporcionalmente mais do que os quase 4 bilhões aplicados pelo Rioprevidência. A população do estado do Rio é 20 vezes maior do que aquela do Amapá. Em fevereiro, a PF fez uma operação, a Zona Cinzenta, sobre os negócios do Amprev com o Master. Lemos e mais dois diretores do fundo tiveram os celulares confiscados.

E os deputados Motta e Lira, como correm perigo? O presidente da Câmara tem uma “emenda Master” para chamar de sua, a exemplo de Nogueira. Com uma diferença. Foi bem-sucedido e emplacou-a na lei. Em dezembro de 2023, propôs alterar um projeto que tratava do “mercado de crédito de carbono” e estava em vias de ser votado. A emenda obrigava seguradoras e fundos de previdência a investir em ativos ambientais. A família Vorcaro tinha na Amazônia negócios no “mercado de crédito de carbono”, atividade que lucra com a preservação da natureza. A emenda virou lei em 2024. Naquele ano, Bianca Medeiros, irmã da esposa do presidente da Câmara, pegou empréstimo milionário no Master e nunca pagou. A Confederação Nacional das Seguradoras recorreu ao Supremo contra a emenda. Henrique Vorcaro, pai de Daniel e em prisão preventiva desde maio, procurou representantes do setor para encerrar o processo de forma amigável, desde que o investimento mínimo fosse mantido. Deu errado. O STF derrubou a emenda no fim de maio. Em sua defesa, Motta diz que a proposta “foi resultado de um acordo partidário”. A Casa legislativa era comandada na ocasião por Arthur Lira, padrinho de Motta ao mesmo cargo em 2025. Lira foi a favor da emenda. Eis por que o senador emedebista Renan Calheiros, inimigo de Lira em Alagoas, chama de “emenda Hugo-Lira”. Há alguns dias, Calheiros entrou com uma ação popular na Justiça na qual pede o bloqueio de 117 milhões de reais do que restou do Master­ e de dirigentes do fundo de pensão dos servidores de Maceió, o Iprev, pelos investimentos daquela monta no finado banco de Vorcaro. A cidade era comandada à época do aporte por João Henrique Caldas, ex-deputado aliado de Lira que se licenciou da prefeitura em abril para concorrer a governador contra o filho de Calheiros.

Mendonça, relator do caso Master no STF, queria a cabeça do colega Moraes. Fábio Luís permanece na linha de tiro do magistrado – Imagem: Nelson Almeida/STF e Rosinei Coutinho/STF

O emedebista é um dos maiores especialistas do Congresso sobre o caso Master, em razão de um time investigativo criado por ele na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Segundo Calheiros, trata-se de um escândalo sobretudo do Centrão. Personagens desse grupo, acredita, podem ser incriminados por uma delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O executivo está preso em caráter preventivo desde abril, acusado de ganhar 146 milhões de reais em imóveis de Vorcaro em troca de favores. Diante de uma crise reputacional a partir de 2024, informa um documento do Banco Central, o BRB começou a comprar carteiras de crédito do Master. Gastou 12 bilhões de ­reais com papéis fajutos, cedidos ao Master por uma empresa de faz de conta aberta no fim de 2024, a Tirreno. A aquisição de parte do banco pelo BRB, barrada pelo BC, buscava encobrir o trambique. Costa topa acusar o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, do MDB, e apontar o caminho do dinheiro de Vorcaro até ele, conforme uma fonte com conhecimento da proposta de delação. Coube a Rocha nomear Costa para a instituição pública do Distrito Federal em 2019.

Calheiros destaca o fato de o Centrão ter obsessão por mandar em bancos via apadrinhados, caso do BRB e da Caixa Econômica Federal na atual gestão Lula. Costa foi para o BRB em 2019 depois de sair da Caixa após o governo ­Michel ­Temer. Um dos integrantes do conselho fiscal do BRB desde 2019, o advogado ­Engels Muniz, foi chefe de gabinete do responsável pela área jurídica da Presidência de Temer. Este é amigo de Rocha, ambos do mesmo partido. O ex-presidente atuou para encurtar o afastamento judicial do então governador após o 8 de janeiro de 2023 graças ao canal com Alexandre de Moraes, seu indicado ao STF em 2017. Temer foi contratado por Vorcaro no ano passado para tentar salvar a compra de parte do Master pelo BRB, fez reuniões­ com o então banqueiro e Rocha quando o BC proibiu o negócio, em setembro.

O bolsonarismo ainda espera que Mendonça faça alguma acusação formal contra Fábio Luís, filho do presidente Lula

O Centrão pressionou o BC para aprovar a transação, ao propor votar com urgência, na Câmara, uma lei que acabava com os mandatos da diretoria da autoridade monetária. Calheiros coloca o Master­ na lista dos bancos do agrupamento político. Uma integrante do grupo, a ex-deputada Flávia Arruda, ministra da Articulação Política de Bolsonaro de 2021 a 2022, enquanto Nogueira estava na Casa Civil, foi diretora, em 2023, da área de Relações Institucionais do Master. Depois assumiu a diretoria de Assuntos Ambientais, na virada para 2024. Em uma audiência pública no Senado na terça-feira 9, Calheiros contou ter recebido um recado de Vorcaro no início do ano, ligado para ele e ouvido o seguinte: “O noticiário estava sendo administrado pelo Centrão e contra o Supremo”. No momento da conversa, o ex-banqueiro estava solto e topava depor no Senado em março, mas acabou preso pela PF no início daquele mês.

O STF havia entrado na berlinda no caso Master a partir de dezembro passado, devido aos elos de dois magistrados com Vorcaro: Moraes e José Dias ­Toffoli. A mutação do noticiário interessava a todos que aprontaram ao lado do mineiro. Uma operação-abafa com apoio do tribunal viria a calhar bem a essa turma. De acordo com uma fonte bem informada sobre o universo jurídico em Brasília, graças ao cargo, Mendonça, o juiz do caso, queria a cabeça de Moraes na delação de Vorcaro. Não a de Toffoli. Quando chefiava a Advocacia-Geral da União em um governo anterior de Lula, Toffoli abriu a Mendonça, então servidor da AGU, as portas da progressão na carreira. No governo Bolsonaro, Mendonça comandou a AGU e o Ministério da Justiça, antes de ser indicado pelo capitão ao Supremo.

A PF de Andrei Rodrigues e a PGR de Gonet não têm pressa em chancelar a delação premiada – Imagem: Evaristo Sá/AFP e José Cruz/Agência Brasil

O juiz é relator de outro caso rumoroso atualmente, as fraudes com aposentadorias pagas pelo INSS. Segundo informações que circulam nos bastidores no Congresso, o gabinete de Mendonça estaria pronto para caracterizar Fábio Luís da Silva, filho mais velho do presidente Lula, como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Falta saber se as investigações da PF sobre o caso vão chegar à mesma conclusão. “Não acredito (que haja essa caraterização do Fábio). Não há elementos (para isso)”, afirma o advogado Marco Aurélio de Carvalho, amigo e conselheiro jurídico de “Lulinha”. Que completa: “Acredito na condução serena do ministro André Mendonça desse caso”.

O indicado de Bolsonaro espera receber em breve um relatório da PF a respeito do estágio das apurações, em especial das descobertas feitas a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta Luchsinger. A empresária é amiga de Fábio Luís e teve os sigilos quebrados juntamente com aqueles de “Lulinha” no início do ano. O relatório foi requerido pelo magistrado em maio, após o inquérito policial ter trocado de mãos. A PF diz que a saída do delegado original do caso, Guilherme Figueiredo da Silva, ocorreu porque as apurações mudaram de repartição internamente. Deixaram a área de Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e passaram à Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores. Em meio a filmes e “Vorcarices”, a caracterização de “Lulinha” como sócio do “careca” daria uma mãozinha a Flávio Bolsonaro. Mas, se desde 2006, com o caso do “mensalão”, o tema “corrupção” virou um abacaxi para o PT em disputas eleitorais, neste ano deve ser diferente. Lula e o partido estão prontos para partir para o ataque. Promessa de uma eleição radicalizada. •

Publicado na edição n° 1417 de CartaCapital, em 17 de junho de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Omertà’

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