Política

Candidatura de Tebet à Presidência impede que antipetistas do MDB apoiem Bolsonaro

Avaliação no diretório nacional do partido é de que a candidatura própria evita que integrantes da legenda de regiões onde o antipetismo ainda é preponderante se aliem ao atual presidente

Fotos: Divulgação/MDB, Ricardo Stuckert e Evaristo Sá/AFP
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A manutenção da candidatura da senadora Simone Tebet à Presidência da República impede que integrantes do MDB que preferem apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) se aliem ao ex-capitão. A avaliação é feita por um integrante do diretório nacional do partido em conversa reservada com CartaCapital nesta quinta-feira 5.

A posição contraria o que tem defendido parlamentares e ex-parlamentares da sigla, como o senador Renan Calheiros e o pré-candidato a deputado federal Eunício Oliveira, que articulam a desistência de Tebet para que se abra caminho para um eventual apoio ao ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno.

Nesta semana, Eunício afirmou que  a candidatura de Tebet pode fazer o MDB perder cadeiras na Câmara dos Deputados. “Gostaria que meu partido tivesse uma candidatura viável, não podemos ir para uma aventura, como fomos em 2018”, avaliou. “Se insistirem, vamos virar um partido nanico”. Já Renan classificou como ‘insanidade manter uma candidatura com 1% dos votos’. Na última pesquisa Ipespe, Tebet chegou aos 2%.

Em 2018, a sigla lançou a candidatura de Henrique Meirelles ao Planalto, mas sem sucesso. O ex-ministro da Fazenda terminou a disputa em sétimo lugar, com 1,20% dos votos. Na ocasião, o partido elegeu 34 deputados federais ante os 66 de 2014.

As declarações de Renan e Eunício, no entanto, não fazem eco na direção nacional do partido, que banca a candidatura própria na eleição presidencial deste ano. Na quarta-feira 4, dirigentes da legenda reuniram-se em Brasília e analisaram uma pesquisa qualitativa sobre os eleitores que não desejam votar em Lula ou Bolsonaro.

“Os resultados são animadores. Há um espaço para furar os polos que já estão colocados”, disse o presidente do MDB, Baleia Rossi, em mensagem encaminhada à imprensa. “Nos 40% [que não querem Lula ou Bolsonaro], o que se busca é uma candidatura nova, mas com experiência. São as características da Tebet”.

A interpretação no diretório nacional do partido é de que, no primeiro turno, a candidatura própria do MDB evita que integrantes do partido de regiões onde o antipetismo ainda é preponderante apoiem Bolsonaro antes do segundo turno.

Neste cenário, avaliou um membro do diretório nacional, o lançamento de Tebet pode ajudar, inclusive, a candidatura de Lula. “Renan e Eunício sabem disso, mas querem mostrar que são mais Lula do que qualquer emedebista”, disse.

“Baleia foi apoiado pelo PT na disputa para presidente da Câmara e nunca deu nenhuma declaração a favor do Bolsonaro”, lembra, “mas não consegue que todo o MDB  apoie Lula. Por isso, a campanha da Tebet é tão importante”.

O dirigente diz que os estados do Sul, Norte, Sudeste e Centro Oeste ainda têm forte resistência ao PT. Muitos dos parlamentares dessas regiões foram eleitos em 2018 com posições antagônicas às do partido de Lula, que naquela eleição teve Fernando Haddad como candidato à Presidência.

Atualmente, a ala que defende o apoio a Bolsonaro seria majoritária na convenção nacional do partido, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a partir de um levantamento feito com base nos delegados eleitos pelos diretórios estaduais, nas bancadas e nos prefeitos da sigla.

“A lógica dos estados é local. É isso que interessa”, admite o membro da diretório nacional a CartaCapital. Para o grupo, a estratégia de Renan e Eunício de se aliarem a Lula em Alagoas e no Ceará é correta. O erro está na tentativa de tirar Tebet do jogo.

No Pará, por exemplo, a avaliação da legenda é que uma candidatura própria à Presidência ajudaria o atual governador Helder Barbalho ser reeleito ainda no primeiro turno. O chefe do Executivo estadual busca o apoio do PT, do PSDB e de partidos ligados a Bolsonaro.

A lógica repete-se em Roraima, onde o ex-senador Romero Jucá tenta voltar ao Congresso Nacional. Lá, o pré-candidato estará em uma chapa composta pela ex-prefeita de Boa Vista Teresa Surita (MDB) e pelo deputado federal Édio Lopes (PL), pré-candidatos a governadora e vice, respectivamente.

Já no Piauí, o MDB apoiará Rafael Fonteles, do PT, ao cargo de governador. No estado, os dois partidos caminharão juntos com o PSD.

No segundo turno, embora não declare explicitamente quem apoiaria caso não chegue nele, Tebet já afirmou em entrevista a CartaCapital, em setembro de 2021, que não tem “condições de caminhar ao lado de Jair Bolsonaro de forma nenhuma”.

“Eu deixo aqui a minha história recente. Estou diante de um presidente que virou as costas para o País, é um governo insensível e cruel”, disse à época.

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

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