Política

Bolsonaro diz que ‘nunca pagou um picolé’ com cartão corporativo; notas fiscais desmentem

Há nos documentos que revelam gastos do ex-presidente mais de 8 mil reais gastos em sorvetes; outros itens de luxo, como Nutella, picanha e até doces de aniversário integram parte da lista de despesas

Foto: EVARISTO SA / AFP
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que nunca pagou um picolé sequer no cartão corporativo. Notas fiscais reveladas pela agência Fiquem Sabendo, porém, desmentem a declaração do ex-capitão.

O vídeo em que Bolsonaro tenta se justificar das despesas exorbitantes foi gravado na semana passada, mas revelado apenas neste domingo 29 pelo site Metrópoles. Na gravação, o ex-capitão está diante de apoiadores na porta da casa em que está hospedado nos Estados Unidos.

“Vocês sabem quanto eu gastei ou saquei do meu cartão particular durante quatro anos? Alguém tem ideia? Zero. Estou com os extratos aqui. Nunca paguei um picolé”, diz Bolsonaro.

As notas fiscais obtidas e reveladas pela agência, porém, desmontam a teoria propagada pelo ex-capitão. Pelos documentos, é possível ver que Bolsonaro gastou 8,6 mil reais apenas na compra de sorvetes, destes, 1 mil reais foram desembolsados em um único dia pelo ex-capitão. As notas citadas, vale ainda mencionar, representam apenas 20% dos gastos do mandato de Bolsonaro. Há ainda 80% de documentos a serem digitalizados.

Outros itens mostram uma rotina luxuosa, bem diferente da que Bolsonaro insiste em dizer que mantinha no Planalto e no Alvorada. É comum, entre os mais de 2 mil documentos, encontrar gastos significativos com picanha, filé mignon, camarão e outros itens de luxo. Doces como Nutella e até itens para festas de aniversário constam entre as notas fiscais do cartão corporativo de Bolsonaro.

“Eu podia sacar até R$ 17 mil por mês, daria 3 mil dólares, para despesas sem prestação de contas. Nunca gastei um centavo, nunca saquei um centavo. Então não tem o que acusar”, insiste o ex-capitão em nova mentira.

A segunda parte da declaração de Bolsonaro também é facilmente desmontada por documentos. Na semana passada, a coluna de Rodrigo Rangel, também do site Metrópoles, revelou que um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) identificou o uso dos cartões corporativos da Presidência para fazer uma espécie de caixa dois de Bolsonaro.

As notas publicadas pela Fiquem Sabendo mostram que diversos saques sequenciais foram feitos na agência do Banco do Brasil do Planalto com o cartão corporativo de Bolsonaro. Os valores, de acordo com os documentos, variam de 500 a 1 mil reais.

Ao todo, apenas entre março e junho de 2021, Bolsonaro sacou 11 mil reais do cartão para despesas não declaradas. Há outros saques que ultrapassam os 20 mil reais.

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