Bolsonaro diz ao STF que ‘só Deus’ pode tirá-lo da Presidência

Em transmissão nas redes sociais, o presidente também lamentou a decisão do STF sobre Lula: 'Ele é candidato'

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução

Política

Após o Supremo Tribunal Federal anular as condenações do ex-presidente Lula (PT), o presidente Jair Bolsonaro criticou a Corte e disse que “só Deus” pode tirá-lo do cargo do cargo. As declarações ocorreram durante transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira 15.

 

 

Bolsonaro iniciou a transmissão com comentários sobre a decisão dos magistrados.

“O que eu vi acontecer agora há pouco no Brasil me lembrou o tempo de garoto, quando eu assistia, no cinema do seu Lelé, em Eldorado Paulista, filme de caubói”, disse, ao lado do presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães. “O cara assaltava algo na Califórnia e começava uma cavalgada, uma desembalada, a correr em direção ao México. Uma vez transpondo a fronteira com o México, estava tudo resolvido, ele não podia mais ser preso.”

“Alguns torciam para o bandido, outros para a patrulha”, prosseguiu. “Mas, aqui no Brasil, a mesma coisa acontece hoje em dia.”

Em seguida, criticou a ministra Cármen Lúcia por ter emitido uma decisão em que cobra explicações do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sobre o impeachment de Bolsonaro. A magistrada estipulou o prazo de cinco dias para esclarecimentos sobre por que o processo não foi instaurado.

Cármen tomou a decisão a partir de um mandado de injunção protocolado pelo advogado Ronan Botelho. Segundo ele, há uma lacuna na Constituição, já que não se estabelece um prazo para abertura de processos de impedimento.

Para o advogado, “a falta de uma regra clara para o devido processo legal nos processos de impeachment, seja de ministro do STF, seja de presidente, é proposital, porque as duas Casas legislativas ficam com as armas nas mãos. O Senado mantém o Judiciário sob sua guarda com ameaças de impeachment [contra ministros] e a Câmara Federal contra o Executivo”.

De acordo com Bolsonaro, “alguma coisa de errado vem acontecendo há muito tempo”.

“Vamos ver se processa a informação e qual é o encaminhamento que o Arthur Lira vai dar no tocante a isso, se vão abrir o processo ou não.”

Bolsonaro afirmou, na sequência, que deve se encontrar com Lira para discutir o impeachment e que quer evitar se manifestar publicamente sobre o que pensa.

“Só digo uma coisa: só Deus me tira da cadeira presidencial”, declarou. “E me tira, obviamente, tirando a minha vida. Fora isso, o que nós estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar. Mas não vai mesmo. Não vai mesmo.”

Ao longo da transmissão, Bolsonaro criticou um possível retorno do petista ao comando do Palácio do Planalto.

“Não está começando aqui uma campanha para 2022, mas, pese a decisão do Supremo hoje, o Lula é candidato. Faça uma comparação dos ministros do Lula com os nossos ministros. Se o Lula voltar, por voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora, veja qual vai ser o futuro do Brasil, o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da Presidência”, disse.

Bolsonaro acrescentou a indicação de Lula para dois ministros do STF em 2023: “Tá ok, pessoal? Acho que a conclusão cabe a todos vocês. Não estou dizendo que eu vou ser candidato, nem que eu sou o melhor do mundo, mas vamos ter eleições pela frente.”

 

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Repórter do site de CartaCapital

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