Justiça
As possíveis implicações contra Flávio após carta de Bolsonaro
A consequência jurídica contra o senador pode ser a aplicação de uma multa, que pode variar entre 5 e 25 mil reais
Nesta segunda-feira 13, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Procuradoria-Geral Eleitoral que se manifeste e tome as medidas que considerar cabíveis a respeito de um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas redes sociais, no qual Moraes considera que o conteúdo pode ser configurado como propaganda eleitoral antecipada.
Na publicação, Flávio leu uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmando que o senador é seu “porta-voz”. Moraes ressaltou que a conduta serviu como “instrumento de promoção política de sua pré-candidatura” e se utilizou de “expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”, prática proibida pela legislação até 16 de agosto.
Conforme explicou a especialista em direito penal e eleitoral, Helen Salvaro Beal, não cabe uma possível inelegibilidade nesse caso. No entanto, a PGE pode entender que o vídeo configura propaganda eleitoral antecipada, caso considere que seu conteúdo extrapola os limites permitidos pela legislação eleitoral para este período. Nesse caso, diz a especialista, a consequência jurídica seria a aplicação de multa, que pode variar entre 5 e 25 mil reais ou equivalente ao custo da propaganda, se for maior.
A medida também pode comprometer a prisão em regime domiciliar do ex-presidente. Nesse caso, caberá a Moraes decidir se revoga ou mantém a atual condição de custódia de Bolsonaro. No caso de Flávio, por outro lado, não há implicações criminais.
Advogados penais que acompanham o caso acreditam que o filho do ex-presidente pode ter feito um cálculo político. Ao avaliar que não há chance de punição na esfera criminal, Flávio pode ter visto uma oportunidade para deixar evidente que não há espaço para outros nomes além do seu na liderança de uma chapa para concorrer à Presidência.
O vídeo do senador foi publicado no contexto de uma crise iniciada após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro alegar que Flávio a teria “humilhado”, o que gerou um desgaste na pré-campanha do candidato e o prejudicou ainda mais entre o eleitorado feminino.
Nos bastidores do Supremo, a leitura é que um possível endurecimento às medidas cautelares impostas ao ex-presidente pode servir como combustível político para gerar ataques contra as instituições democráticas e ser encarado como “perseguição”. Agora Bolsonaro terá que explicar se a carta foi escrita por ele ou se ele sabia que o documento seria lido publicamente.
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