Justiça
Moraes suspende visitas de Flávio e manda Jair Bolsonaro explicar envio de carta
Para o ministro do STF, o senador desrespeitou medida cautelar imposta ao ex-presidente
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda-feira 13, que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explique o envio de uma carta a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que leu o texto nas redes sociais. Moraes também proibiu o senador de visitar o pai na prisão domiciliar por 90 dias.
No sábado 11, Flávio fez uma transmissão ao vivo na internet para promover um “anúncio” após visitar o pai. No vídeo, leu uma carta na qual Jair diz que o filho é seu “porta-voz” nas eleições deste ano.
A declaração ocorreu em meio a uma crise instalada no PL após a publicação de um vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusa Flávio de tê-la “humilhado”.
Para Moraes, há um nítido desrespeito do senador à medida cautelar imposta ao ex-presidente. Conforme a decisão, Flávio, “utilizando-se do seu direito de visita”, obteve uma carta “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”.
No entendimento do ministro, não há dúvida de que a conduta de Flávio configura “ostensivo desvio de finalidade no exercício do seu direito de visita”.
Moraes recordou no despacho que o senador já descumpriu as medidas em outra ocasião, quando convocou uma vigília na casa de Jair. À época, o ex-presidente usava tornozeleira eletrônica após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
A defesa do ex-presidente terá 48 horas para enviar as explicações ao Supremo. Em nota, o líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (MDB-RN), disse que a medida “reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual”, uma vez que o presidente Lula (PT), “recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados” enquanto esteve preso.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Câmara destinou R$ 1,3 bilhão em emendas sem revelar quais deputados escolheram os beneficiários
Por Vinícius Nunes
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em segundo turno, segundo a nova pesquisa Nexus/BTG
Por CartaCapital



