Economia

Após agir pelo tarifaço, Flávio Bolsonaro culpa Lula por sobretaxa

O pré-candidato do PL alegou que o presidente ‘não tem mais condições’ de governar. A declaração ocorre após meses de articulação da família Bolsonaro junto ao governo Trump

Após agir pelo tarifaço, Flávio Bolsonaro culpa Lula por sobretaxa
Após agir pelo tarifaço, Flávio Bolsonaro culpa Lula por sobretaxa
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atribuir ao presidente Lula (PT) a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em publicação no X nesta quinta-feira 16, um dia após a confirmação da medida pelo governo de Donald Trump, o senador afirmou que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil”, comparou o petista ao ex-presidente norte-americano Joe Biden e disse que o País estaria “num avião sem piloto”.

Na postagem, Flávio escreveu ainda que “quem olha pro Lula não enxerga futuro” e associou o presidente a “atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência” e “vingança”. A mensagem foi publicada horas depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, encerrando uma investigação iniciada em 2025. 

As críticas contrastam com a atuação do próprio Flávio durante o processo que levou à decisão americana. Desde o início da investigação, o senador esteve entre os principais interlocutores do grupo bolsonarista junto a autoridades dos Estados Unidos. Ele enviou uma carta ao USTR, participou de audiência pública em Washington, nos dias finais da investigação, e defendeu o adiamento das tarifas para depois das eleições presidenciais, argumentando que um eventual governo seu adotaria uma política comercial diferente da atual. A iniciativa foi apresentada sem representar oficialmente o governo brasileiro, que optou por trabalhar exclusivamente pelos canais diplomáticos.

Durante a audiência promovida pelo USTR, Flávio afirmou que a aplicação imediata das tarifas ocorreria no “pior momento possível” e pediu mais tempo para negociações. A estratégia buscava reduzir o desgaste provocado pela aproximação da família Bolsonaro com integrantes do governo Trump durante a tramitação da investigação comercial. 

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o influenciador Paulo Figueiredo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Reprodução redes sociais

Outro aliado do senador, o influenciador Paulo Figueiredo, também responsabilizou Lula pela decisão americana. Em publicação nas redes sociais, alegou que “houve excesso de empenho do governo Lula em cavar as tarifas” e disse que continuará a trabalhar para reverter a medida e defender a aplicação de sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes por meio da Lei Magnitsky. Figueiredo esteve inicialmente inscrito para participar da audiência pública do USTR, mas desistiu da apresentação presencial e enviou suas manifestações por escrito.

O tarifaço anunciado pelo governo Trump é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O USTR concluiu que políticas brasileiras relacionadas ao Pix, à regulação de plataformas digitais, ao mercado de etanol, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal restringiriam o comércio americano. Embora a tarifa de 25% tenha sido confirmada, o governo americano excluiu da sobretaxa mais de 1,6 mil itens, preservando produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e diversos insumos industriais.

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