Economia

Os principais produtos brasileiros que escaparam do novo tarifaço dos EUA

Lista definitiva preserva mais de 1,6 mil itens e deixa de fora petróleo, café, carne bovina, aeronaves, celulose, entre outros 

Os principais produtos brasileiros que escaparam do novo tarifaço dos EUA
Os principais produtos brasileiros que escaparam do novo tarifaço dos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Brendan Smialowski/AFP
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O governo Donald Trump oficializou, na noite de quarta-feira 15, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, encerrando uma investigação comercial aberta há cerca de um ano contra o Brasil. A decisão foi anunciada pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, e entra em vigor em 22 de julho. O documento final, publicado no Federal Register, confirmou uma extensa lista de exceções que preserva parte relevante das exportações brasileiras para o mercado americano. 

Ao todo, mais de 1,6 mil itens ficaram fora da sobretaxa. A lista contempla alguns dos principais produtos da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, como petróleo bruto e derivados, café em grão, torrado e solúvel, carne bovina, aeronaves civis e peças, celulose, ferro-gusa, minérios de ferro, cobre, níquel e alumínio, fertilizantes, medicamentos, computadores, smartphones e outros equipamentos eletrônicos. Também foram preservados produtos do agronegócio, como suco de laranja, água de coco, frutas, castanhas, especiarias, mel orgânico, tilápia, lagosta e outros pescados. 

A lista completa de produtos que não serão sobretaxados está disponível, em inglês, em documento disponibilizado pelo USTR em seu site oficial. Clique aqui para conferir.

Na prática, a decisão reduz significativamente o impacto do tarifaço sobre alguns dos setores mais relevantes da balança comercial brasileira com os Estados Unidos. O Brasil é responsável por cerca de um terço do café consumido pelos norte-americanos e tem os EUA como um dos principais destinos da carne bovina exportada pelo País. O mercado americano também é estratégico para a Embraer, para a indústria de petróleo e derivados e para fabricantes de celulose, todos preservados da nova cobrança. 

Ao justificar a ampla lista de exceções, o USTR afirmou que muitos desses produtos são matérias-primas essenciais para a economia americana ou não podem ser produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos. Segundo o órgão, em outros casos a sobretaxa poderia provocar desabastecimento, elevar custos para empresas e consumidores americanos ou gerar impactos relevantes nas cadeias industriais do país. A decisão também levou em conta as contribuições apresentadas durante a consulta pública e as audiências realizadas em Washington nos dias 6 e 7 de julho. 

Apesar das exceções, uma parcela importante das exportações brasileiras continuará sujeita à tarifa adicional de 25%. Permaneceram na lista de produtos atingidos etanol, máquinas agrícolas, máquinas e equipamentos elétricos, vestuário, calçados, papel, aço, açúcar orgânico, ferramentas de jardinagem, equipamentos para mineração, além de diversos bens manufaturados e produtos industriais processados. O governo americano rejeitou pedidos de exclusão feitos por representantes desses setores, sob o argumento de que eles podem ser substituídos por fornecedores de outros países. 

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O USTR concluiu que políticas brasileiras relacionadas ao Pix e aos serviços de pagamento, à regulação das plataformas digitais, aos acordos comerciais, ao mercado de etanol, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal restringem ou oneram o comércio americano. O governo brasileiro contesta essas conclusões e sustenta que os temas envolvem políticas internas e não configuram barreiras comerciais. 

Ao longo da reta final do processo, mais de 360 contribuições foram enviadas ao USTR por empresas, entidades e governos, e 77 representantes participaram das audiências públicas. A maioria das manifestações defendia uma ampliação da lista de exceções, argumentando que a sobretaxa elevaria custos para consumidores e empresas dos Estados Unidos. O documento final acolheu parte desses pedidos e ampliou a relação de produtos isentos em comparação com a proposta apresentada em junho, incluindo, por exemplo, café solúvel sem aromatização, mel orgânico, ferro-gusa e novos produtos de madeira, entre outros itens. 

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