Política

‘Apoio Ciro, mas discordo dos ataques ao Lula’, diz pré-candidato do PDT no Rio

Rodrigo Neves ainda classificou o presidenciável do seu partido como ‘muito preparado’ para concorrer ao cargo e criticou Freixo e Castro, seus concorrentes

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O pré-candidato do PDT ao governo do Rio, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, disse nesta quarta-feira 18 ao jornal O Globo que não concorda com os ataques do seu correligionário Ciro Gomes ao ex-presidente Lula (PT). Apesar da discordância, Neves reforçou seu apoio ao colega de partido, a quem classificou como ‘muito preparado’ para concorrer ao cargo de presidente da República.

“Ciro é nosso candidato. Ele é muito preparado e tem dado uma contribuição na agenda pública quando coloca em evidência a questão da desindustrialização e do rentismo. Agora, eu discordo dos ataques pessoais ao ex-presidente Lula”, afirmou Neves na entrevista.

Segundo defendeu, Ciro deveria se espelhar mais em Leonel Brizola, líder histórico do PDT, que não respondeu agressivamente aos ataques do PT em 1989.

“Acho que ele [Ciro] tem que se espelhar um pouco no Brizola de 1989, que foi atacado implacavelmente pelo PT, mas não perdeu o fio da história”, defendeu. “Lula foi o melhor presidente desde a redemocratização, e não podemos desconsiderar a necessidade de diálogo com as forças democráticas”, completou Neves em seguida.

Na conversa, Neves, que já foi do PT, ecoou os pedidos de autocrítica ao ex-partido feitos por opositores da legenda. Ele deixou o PT em 2016 após se dizer ‘desconfortável’ com as acusações de corrupção envolvendo a sigla. Em 2018, o pré-candidato foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, com base na delação premiada do empresário Marcelo Traça, que diz ter desviado 10 milhões de reais com suposta anuência do pedetista. Sobre o tema, ele classifica a prisão como ‘ilegal’ e fruto de ‘perseguição’.

Lula sofreu ‘lawfare’, como eu sofri. Mas não podemos negar que o [Antônio] Palocci recebeu milhões de reais em propina. Isso, evidentemente, merece uma autocrítica. Mas não estou mais no PT para comentar questões domésticas do partido”, destacou.

Sobre as acusações em seu desfavor, Neves disse que “foi uma prisão absurda e ilegal. A acusação de organização criminosa e formação de quadrilha foi arquivada sem sequer abrir o processo. O delator diz que nunca tratou nada comigo. O procurador na época omitiu dados do Coaf que corroboravam a minha idoneidade.”

O político também destaca que o Ministério Público já se manifestou recentemente pedindo a extinção de um dos processos.

Ainda na entrevista, Neves fez duras críticas aos adversários Cláudio Castro (PL) e Marcelo Freixo (PSB), seus concorrentes na corrida eleitoral para o governo fluminense. O pedetista ainda negou que pretende retirar sua candidatura.

“Minha candidatura é irreversível. Já tenho o apoio declarado do Cidadania e do Patriota, e setores do PT, PCdoB, PV e PSB também caminharão conosco. Estão querendo reproduzir no Rio uma polarização artificial”, defende o pré-candidato. “Ao contrário do quadro nacional, as pesquisas espontâneas apontam que quase 80% da população ainda não têm candidato a governador. Eu tenho um baixo índice de conhecimento da população”.

Sobre Castro, Neves o classificou como ‘carregador de mala do Pastor Everaldo [presidente do PSC], um assessor’. Já em relação a Freixo, o pedetista disse considerá-lo um ‘bom parlamentar’, mas sem experiência no Executivo. “Você entregaria o seu carro para uma pessoa que nunca dirigiu na vida? Ainda mais numa estrada esburacada e perto do precipício”.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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