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Anúncio de encontro de Lula e Macron em Paris já desperta forte interesse na imprensa francesa

Um dia antes das atividades de Lula em Paris, o presidente brasileiro se encontrará com o papa Francisco no Vaticano

Os presidentes do Brasil e da França, Lula e Emmanuel Macron, no G7. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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O anúncio da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Paris, nos dias 22 e 23 de junho, já desperta forte interesse na imprensa francesa. Em nota divulgada neste sábado (4) pelo Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron expressa “satisfação” por receber o líder brasileiro em uma reunião internacional que “pretende que nenhum país tenha que escolher entre lutar contra a pobreza e atuar em favor do clima e da natureza, com o objetivo de que as condições da transição sejam acessíveis a todos”.

O presidente Lula vem a Paris para participar de um encontro de cúpula sobre um novo pacto financeiro mundial e terá uma reunião bilateral com Macron, segundo fontes dos governos dos dois países. O líder francês já articula os preparativos dessa conferência e recebe neste domingo (4), no Eliseu, o cacique Raoni.

A assessoria de Macron informou que ele pretende reiterar, na conversa com o cacique brasileiro, seu compromisso com o respeito aos povos indígenas, e sua determinação a trabalhar pela conservação dos meios naturais e principalmente das florestas tropicais, que constituem reservas vitais de carbono e de tesouros de biodiversidade.

Nesse contexto, a derrota sofrida pelo governo brasileiro com a aprovação na Câmara dos Deputados, na terça-feira (31), do projeto de lei que estabelece a validade da tese do marco temporal, segundo a qual os indígenas só têm direito aos territórios que ocupavam na época da promulgação da Constituição de 1988, causou preocupação na Europa. A medida foi criticada por associações indígenas, especialistas e autoridades europeias.

Macron também discutirá com Raoni os objetivos “da cúpula que visa criar um novo pacto financeiro mundial, que trabalhará para aumentar a solidariedade internacional na luta contra a pobreza, para a proteção da natureza e ação pelo clima, além da cúpula da Amazônia, que ocorrerá neste ano em Belém”. Macron já havia recebido Raoni em maio de 2019.

Além do presidente Lula, vários participantes já confirmaram presença nos dois dias de debates em Paris: Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Olaf Scholz, chanceler da Alemanha, Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados, e Filipe Nyusi, presidente de Moçambique. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, também estará presente, segundo uma fonte diplomática.

“A luta contra o aquecimento global, a preservação da biodiversidade e contribuir para a resolução de crises internacionais estarão na agenda do encontro bilateral” que Lula terá com Macron à margem da cúpula, destaca a nota do Eliseu.

Lula e Macron já se encontraram na cúpula do G7, em Hiroshima, em 20 de maio, quando conversaram sobre a cooperação bilateral em defesa e a ampliação de intercâmbios “no campo cultural”, além da guerra da Rússia na Ucrânia, segundo a presidência do Brasil.

Em conversa telefônica em janeiro, Lula convidou Macron para visitar o país e conhecer, no Rio de Janeiro, o estaleiro onde é construído um submarino a propulsão nuclear, fruto da cooperação entre os dois países. Mas, até agora, a presidência francesa não anunciou nenhuma data de viagem ao Brasil.

O retorno de Lula ao poder, em janeiro, reatou os laços entre o Brasil e a França. Macron e o ex-presidente Jair Bolsonaro não tiveram boas relações, especialmente pela gestão criticada de Bolsonaro da proteção da Amazônia, considerada um recurso-chave na corrida para conter a mudança climática.

A França também é um país central nas negociações para a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que estão sendo retomadas. O ministro francês encarregado do Comércio Exterior, Olivier Becht, viajará ao Brasil na segunda, terça e quarta-feira e “não irá ao país para negociar”, já que as discussões são conduzidas em nível europeu. “Mas o assunto voltará à tona” durante as discussões bilaterais, admitiu um membro do ministério francês. A União Europeia considera o reforço das condições ambientais essenciais ao sucesso das negociações.

Um dia antes das atividades de Lula em Paris, o presidente brasileiro se encontrará com o papa Francisco no Vaticano, confirmou o Itamaraty. Francisco e Lula conversaram na quarta-feira por telefone sobre a defesa da paz na Ucrânia e o combate à pobreza, em um diálogo no qual o líder brasileiro convidou o pontífice a visitar o Brasil.

Com AFP

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