AGU cita saúde mental e diz que Copa América é ‘entretenimento seguro’

Advocacia-Geral da União enviou manifestação favorável a realização do campeonato ao Supremo, que julga pedidos pela suspensão

Jogador Richarlison em jogo pelas Eliminatórias da Copa América, em 8 de junho (Foto: NORBERTO DUARTE / AFP)

Jogador Richarlison em jogo pelas Eliminatórias da Copa América, em 8 de junho (Foto: NORBERTO DUARTE / AFP)

Política,Saúde

Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal, a Advocacia-Geral da União defendeu, nesta quinta-feira 10, a realização da Copa América no Brasil e afirmou que um “entretenimento seguro” pode ser benéfico para a população, que vive em meio a uma alta de casos e internações de Covid-19 nas últimas semanas.

“Há que se alertar para os efeitos da pandemia de COVID-19 e do distanciamento social na saúde mental das pessoas”, diz a argumentação. “É pertinente considerar que, na situação peculiar decorrente do enfrentamento à pandemia já há tantos meses, com seus riscos inerentes e famílias enfrentando sérios problemas de saúde ou econômicos, além das limitações decorrentes do distanciamento social, não são irrelevantes os benefícios que podem advir de fontes de entretenimento seguro”, argumenta a AGU.

Além disso, o órgão também afirma que “há protocolos já produzidos pela CONMEBOL e pela Confederação Brasileira de Futebol que demonstram a segurança da realização do evento desportivo”, e cita a realização de testes em jogadores e comissão técnica.

Também há menção ao fato do número de funcionários das delegações ser menor do que “a quantidade de desembarques internacionais que ocorreram no Brasil dos meses de fevereiro e março do corrente ano”, e a argumentação, também utilizada por membros do governo federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, de que já existem campeonatos de futebol em curso atualmente no País. Leia a íntegra da manifestação.

O Supremo começou a julgar nesta quinta-feira três recursos contra a realização da Copa América-2021 no Brasil. Quatro dos onze magistrados já se manifestaram a favor da autorização do campeonato regional de seleções.

Os ministros têm até às 23h59 desta quinta-feira para votar remotamente os pedidos do Partido dos Trabalhadores (PT), da Confederação Nacional dos Metalúrgicos e do Partido Socialista Brasileiro para suspender o torneio, cuja partida inaugural está marcada para domingo em Brasília, devido ao risco sanitário que acarreta.

A ministra Cármen Lúcia, que votou pelo indeferimento dos pedidos de suspensão, sustentou que caberá às autoridades dos estados que receberão as partidas “definir, fazer cumprir e controlar os protocolos para não se ter um ‘copavírus’, fonte de novas infecções e transmissão de novas cepas”.

Já o ministro Ricardo Lewandowski pediu um plano detalhado com ações de preventivas antes do início do torneio de seleções mais antigo do mundo.

 

 

 

Brasil promete “ambiente controlado”

Na terça-feira, após a vitória sobre o Paraguai nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, os jogadores da Seleção se manifestaram contra “a organização da Copa América”, embora tenham garantido que disputarão o torneio que conquistaram em 2019, também realizado no Brasil, negando rumores de boicote.

Astros sul-americanos como o uruguaio Luis Suárez, o colombiano Juan Guillermo Cuadrado e o argentino Sergio Agüero criticaram publicamente o evento. A este coro se juntaram os treinadores do Equador Gustavo Alfaro; do Peru, Ricardo Gareca, e do Chile, Martín Lasarte.

Epidemiologistas e outros especialistas em saúde garantem que o país, que está se aproximando de meio milhão de mortes por covid-19, enfrenta atualmente um novo surto da pandemia, com aumento de casos, e que a realização da Copa América que reúne dez países, poderia piorar a situação.

No entanto, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, garante que o torneio, o quarto nos últimos seis anos, será realizado em “ambiente controlado”, com exames periódicos para jogadores e protocolos sanitários especiais.

As autoridades brasileiras haviam dito que as dez equipes participantes deveriam ter suas delegações, de até 65 pessoas, vacinadas para entrar no Brasil, mas Queiroga recuou, garantindo que as vacinas poderiam “comprometer o ritmo competitivo dos jogadores” e também, devido ao fato de os atletas poderem não conseguir adquirir a imunidade.

*Com informações da AFP

 

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