‘A prisão seria o menor castigo que você vai sofrer na vida’, diz o presidente da CPI a Wajngarten

O senador Omar Aziz (PSD-AM) não endossou o pedido de prisão do ex-chefe da Secom apresentado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL)

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Política

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, fez uma ‘advertência’ na noite desta quarta-feira 12 ao ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wangarten, que prestou depoimento à comissão. O depoente chegou a ser alvo de um pedido de prisão por parte do relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que se irritou com o que chamou de “mentiras”. Para Aziz, no entanto, o cárcere seria “o menor castigo” que ele sofreria.

No início da sessão, o ex-chefe da Secom compartilhou com os senadores uma carta enviada pela farmacêutica norte-americana Pfizer que permaneceu dois meses sem qualquer resposta do governo federal. O documento teria chegado aos destinatários em 12 de setembro de 2020: o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros Paulo Guedes (Economia) e Eduardo Pazuello (então responsável pela Saúde).

“Quero lhe dizer, olhando para o senhor: a prisão seria o menor castigo que você vai sofrer na vida. Hoje, aqui, você não ficou bem com ninguém. Você entregou um documento de que nenhum de nós tinha conhecimento. Então, você não agradou o governo, nem ninguém. Você vai sofrer. E isso eu lhe digo porque, com a experiência que tenho em vida, posso lhe dar um conselho. A vida machuca a gente. E a prisão não seria nada mais terrível do que você perder a credibilidade, a confiança e o legado que construiu até agora”, declarou Aziz.

 

 

“Quando Vossa Excelência for chamada para falar sobre o que aconteceu aqui hoje, procure falar a verdade. Porque sei que as coisas não vão parar aqui, é natural. A CPI tem desdobramentos, e os desdobramentos demoram anos às vezes para sair da vida da gente”, completou o presidente da comissão.

O ‘recado’ veio horas depois de Renan Calheiros pedir a prisão de Fabio Wajngarten, por, segundo ele, mentir no colegiado.

O estopim foi a declaração do ex-secretário de Comunicação sobre a campanha publicitária “O Brasil não pode parar”, que data de março do ano passado. “Eu me recordo de um vídeo circulando, ‘O Brasil não pode parar’, eu não tenho certeza se ele é de autoria, de assinatura da Secom. Eu não sei se ele foi feito dentro da estrutura ou por algum… E circulou de forma orgânica. Eu não tenho essa certeza, posso confirmar para o senhor”, disse Wajngarten.

O ex-chefe da Secom se referiu à campanha como um “teste” e disse que “não houve autorização para veiculação de nada”.

Mais tarde, Calheiros rebateu: “Vossa Senhoria, mais uma vez, mente. Porque está aqui uma postagem da Secom da campanha ‘O Brasil não pode parar’ e está aqui também no site ‘Governo do Brasil’ a postagem oficial. Vossa Excelência, mais uma vez, mente”.

“Mentiu diante dos áudios publicados e continua mentindo. Esse é o primeiro caso de alguém que vem à Comissão Parlamentar de Inquérito e, em desprestígio à verdade, mente. Eu vou, diante do flagrante evidente, pedir a prisão de Vossa Senhoria”, completou o relator.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) concordou com a sugestão de Calheiros. “Antes de ser senador, fui delegado de polícia por 27 anos. Eu já inquiri inúmeras pessoas. Esse depoente faltou com a verdade e está em estado flagrancial”, argumentou.

Diante da discussão, Omar Aziz disse que não será “carcereiro” e, portanto, não pedirá a prisão de Wajngarten.

“A gente não pode tornar o País pior do que já está. Eu tenho que ter equilíbrio aqui. Então, não tomarei essa decisão. Tenho tomado decisões muito equilibradas, mas daí a ser carcereiro de alguém, não. Eu sou um democrata. Se ele mentiu, temos como pedir o indiciamento dele”, justificou Aziz.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que não é integrante da CPI da Covid, também se manifestou. O filho de Jair Bolsonaro saiu em defesa do ex-chefe da Secom e atacou Calheiros.

“É o cúmulo do absurdo vermos uma pessoa honesta, falando a verdade aqui, e estão tentando tirar uma entrevista como parâmetro do que é verdade ou não aqui na CPI”, disse Flávio.

“Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros. Olha a desmoralização”, emendou o filho do presidente.

Renan, então, rebateu: “Vagabundo é você, que roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete”.

 

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Editor do site de CartaCapital

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