15 de novembro: Campanha Fora Bolsonaro discute na semana que vem manutenção dos atos

Manifestações podem ser canceladas, com esforços voltados para o Dia da Consciência Negra, mas relatório da CPI pode influenciar decisões

Campanha Fora Bolsonaro já realizou atos nacionais em seis datas de 2021. Foto: Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Campanha Fora Bolsonaro já realizou atos nacionais em seis datas de 2021. Foto: Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Política

Organizações políticas se reúnem a partir da segunda-feira 18 para discutir os rumos dos atos da Campanha Fora Bolsonaro, depois de seis manifestações realizadas desde 29 de maio. Com a reta final de 2021, a perspectiva é de que novembro seja o último mês para a articulação de um protesto contra o presidente da República.

 

 

Logo depois do ato de 2 de outubro – tema de reportagem em vídeo de CartaCapital – , já se ventilava entre partidos da oposição a data de 15 de novembro, Dia da Proclamação da República, para uma nova mobilização. A organização Direitos Já! – Fórum pela Democracia, responsável por costurar apoios de figuras de fora do campo da esquerda, manifestava desde setembro a intenção de puxar um ato para novembro.

Duas semanas depois, porém, a Campanha Fora Bolsonaro ainda não convocou uma nova data.

Há uma discussão nos bastidores sobre se essa projeção deve ser mantida. Segundo uma das avaliações ouvidas pela reportagem, a Campanha já realizou seis atos e tem dificuldades para levantar novas mobilizações com algum ganho. Conforme mostrou análise do jornalista Igor Felippe Santos em CartaCapital, a capacidade de mobilização nos atos contra Bolsonaro já chegou no teto e não tem alcançado perfis de manifestantes além dos que estão na militância.

Outra questão envolve a atuação da direita. Os esforços para 2 de outubro visavam atrair representantes do campo liberal que fizessem oposição a Bolsonaro. Porém, no dia do protesto, algumas figuras desmarcaram o comparecimento e outras se limitaram a enviar vídeos de apoio. Houve, ainda, choques entre manifestantes contra quadros que se fizeram presentes, como Ciro Gomes (PDT) e Paulinho da Força (Solidariedade).

 

 

Depois de 2 de outubro, há uma leitura de que o campo liberal se dedicou pouco a seguir na construção dos atos, possivelmente por influência da carta escrita por Michel Temer (MDB) e divulgada por Bolsonaro no pós 7 de Setembro, quando a ponte de diálogo entre o Planalto e os outros Poderes pareceu se estabilizar.

Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares, considera que faltam condições políticas para aumentar o número de pessoas nas manifestações cogitadas para o dia 15 de novembro. Há que ser observado, no entanto, qual será o impacto da apresentação do relatório final da CPI da Covid, em 19 e 20 de outubro. O documento deve listar crimes cometidos por Bolsonaro, por seus três filhos e dois ministros.

“Pode ser que esse seja um fato novo”, disse Bonfim a CartaCapital. “Mas nós, enquanto Campanha Fora Bolsonaro, estamos vindo de uma maratona de atos em plena pandemia. Infelizmente, ao que tudo indica, a direita liberal, que se diz oposição ao Bolsonaro, não se empenha para ajudar a fazer um processo de mobilização de ruas no sentido de pressionar a Câmara a instalar o processo de impeachment. Essa é a grande verdade.”

Atnagoras Lopes, secretário-geral da central sindical CSP-Conlutas, demonstrou surpresa com a veiculação, no jornal Folha de S. Paulo, em 13 de outubro, da notícia de que “sem adesão da direita, ato contra Bolsonaro em 15 de novembro deve ser cancelado”. O sindicalista, que compõe a operativa nacional, salientou que a decisão não existiu, e que, após 2 de outubro, ocorreu somente uma reunião da Campanha, na segunda-feira 11, sendo que o cancelamento do dia 15 não foi pautado.

Na próxima semana, as centrais sindicais e os movimentos sociais tendem a definir, segundo Lopes, como a Campanha Fora Bolsonaro deve se relacionar com os atos antirracistas previstos para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Há em vista uma soma de esforços para uma data em que tradicionalmente já existem mobilizações nas ruas.

“Independentemente do 15 de novembro, existiria o dia 20, ainda mais na conjuntura racista em que estamos. Está pacificado que o Fora Bolsonaro será incorporado nas lutas da Consciência Negra”, afirma Lopes. “Mas no espectro geral, caminha-se para a manutenção do 15, e o que vai se construir é a dimensão dele. Bem como se indica um forte dia 20. Agora, essas decisões serão oficialmente afuniladas na segunda-feira.”

A Central Única dos Trabalhadores, uma das principais participantes da coordenação dos atos, reforçou a CartaCapital que os debates e deliberações sobre as datas de mobilizações ocorrem “conjuntamente” e lembrou que a Campanha Fora Bolsonaro é dirigida por pelo menos 80 entidades.

No canal da Campanha no Telegram, os organizadores convocaram para 16 de outubro um tuitaço contra a fome. Há conversas, ainda, para que manifestantes se mobilizem nas datas da apresentação do relatório da CPI da Covid.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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