Frente Ampla

O governo Bolsonaro segue se comportando como um importante aliado do coronavírus

O bolsonarismo seguirá atacando a ciência e o conhecimento acumulado sobre pandemia. Simplesmente para manter coesa sua base mais radical

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

A descoberta da variante Ômicron do novo coronavírus colocou a comunidade internacional em alerta. A identificação da nova cepa ocorre justamente quando o mundo dá sinais de recuperação após a devastação provocada pela pandemia, coalhando de incertezas o futuro e reforçando o potencial destrutivo de crises sanitárias como a atual.

Identificada primeiramente no continente africano, a nova variante já circula nas Américas, Europa e Ásia, sendo uma cepa altamente contagiosa — embora as primeiras evidências apontem para manifestações mais brandas da Covid-19 pelos infectados. No Brasil dezenas de casos já foram identificados e pesquisadores acreditam que a transmissão comunitária da variante pelo País é questão de tempo.

A Anvisa reconheceu a gravidade da nova cepa e recomendou que todas as pessoas vindas do exterior desembarcando no Brasil apresentem seu passaporte de vacinação, numa tentativa de dificultar a circulação da nova cepa em nosso território, já infestado por diferentes variantes do novo coronavírus.

Em um primeiro momento, as recomendações foram rechaçadas pelo governo federal — em mais uma iniciativa de incentivo à contaminação da população brasileira pelo coronavírus — para depois recuar e publicar portaria exigindo quarentena para aqueles que desembarcarem no país vindo de qualquer nação estrangeira.

Em tese, essa seria uma ação inibidora — mas na prática impossível de ser implementada. Como fiscalizar os milhares de estrangeiros que diariamente chegam ao Brasil? Como dispor de técnicos em quantidade suficiente para monitorar o cumprimento da quarentena? Mais lógico e prudente exigir exame negativo feito com até 72 horas de antecedência e vacinação, sabidamente a maneira mais eficaz de combate ao vírus e suas consequências.

Infelizmente, o governo Bolsonaro segue se comportando como um importante aliado do coronavírus, recusando sistematicamente a adoção das medidas indicadas por autoridades científicas, médicas e sanitárias para enfrentamento da crise sanitária e controle da pandemia. Com a chegada da variante Ômicron nada mudou.

Assim como em outras ocasiões, acionamos o Supremo Tribunal Federal contra mais esta atitude deliberada de suporte à Covid-19 patrocinada pelo governo federal, solicitando que todas as pessoas vindas do exterior sejam obrigadas a apresentar teste negativo e vacinação de ciclo completo contra o coronavírus. Tal medida, inclusive, vem sendo adotada por diferentes nações para evitar um novo surto de contaminações em seus territórios.

Nosso pleito foi prontamente acatado em decisão liminar, evidenciando a urgência de medidas para evitar o espalhamento da Ômicron pelo país, constituindo-se como mais uma vitória em defesa da vida em contraste à política genocida implementada pelo governo Bolsonaro. Diante do despacho, o governo federal publicou outra portaria com novas regras para acesso de pessoas vindas do exterior para o Brasil.

O mérito da nossa ação será analisado no plenário do STF ainda essa semana e a tendência é de que a decisão liminar seja referendada pelo conjunto da corte. Essa não foi a primeira atitude do governo federal de fomento à crise sanitária e desconfiamos que, infelizmente, também não será a última.

O bolsonarismo tem compromisso ideológico com o negacionismo e seguirá atacando a ciência e o conhecimento acumulado acerca do novo coronavírus simplesmente para manter coesa sua base mais radical. Alimentar os devaneios de seus apoiadores mais fanáticos é política de Estado para Bolsonaro, nem que para isso precise criar condições para que outros milhares de brasileiros e brasileiras percam a vida em decorrência da Covid-19.

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