Política

‘A Anvisa quer fechar o espaço aéreo de novo, porra’, diz Bolsonaro a empresários

Na repetição de sua retórica negacionista, o ex-capitão afirmou que ‘ninguém vai ganhar a guerra dentro da trincheira’

Foto: Reprodução/TV Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro fez um forte ataque à Agência Nacional de Vigilância Sanitária pela defesa do chamado passaporte da vacina, em meio à preocupação global sobre a possível disseminação da variante Ômicron do coronavírus.

Bolsonaro participou, nesta terça-feira 7, de um encontro com empresários da indústria, em Brasília. No discurso, criticou a tentativa dos especialistas da Anvisa de controlar a entrada de pessoas que chegam de outros países, com a exigência da apresentação de um comprovante de imunização ou da quarentena obrigatória.

Na segunda 6, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu o prazo de 48 horas para o governo explicar por que não adotou a exigência de apresentação do passaporte da vacina para entrada no Brasil.

“A Anvisa quer fechar o espaço aéreo. De novo, porra? De novo vai começar esse negócio?”, vociferou Bolsonaro nesta terça. “Ah, Ômicron… Vai ter um montão de vírus e variantes pela frente. Peço a Deus que esteja errado, mas temos que enfrentar.”

Na repetição de sua retórica negacionista, o ex-capitão afirmou que “ninguém vai ganhar a guerra dentro da trincheira e ninguém vai superar os problemas do Brasil dentro de casa”. Também tornou a criticar prefeitos e governadores que adotaram medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19.

“Parece que eu sou o único chefe de Estado do mundo com uma posição diferente. Estudei, corri atrás, liguei para embaixadores, médicos, pessoal da Amazônia”, declarou Bolsonaro.

Em novembro, a Anvisa enviou à Casa Civil notas técnicas sobre a entrada de viajantes no Brasil e propôs a abertura das fronteiras para aqueles que comprovarem a vacinação e uma quarentena de cinco dias para os não imunizados.

No evento em Brasília, Bolsonaro ainda retomou o discurso belicista ao defender a flexibilização do acesso às armas no campo. Segundo ele, essa bandeira, aliada ao corte de financiamento de Organizações Não Governamentais, deixou “o pessoal do campo feliz”.

“Hoje, não se preocupam mais com o MST. Deu trabalho? Deu. Qual a coisa mais importante? Buscar os órgãos nossos, bancos oficiais, alguns ministérios que financiavam o próprio MST. Tirar dinheiro de ONGs”, prosseguiu. O ex-capitão mencionou um suposto diálogo “com um colega”, que teria questionado as razões para “cortar todo o dinheiro de ONGs, porque tem boas ONGs”.

“Quando se faz uma quimioterapia, muitas células saudáveis morrem para salvar o paciente. Não podemos dar chance para esse pessoal continuar infernizando o campo”, teria respondido Bolsonaro, conforme seu relato.

Ele declarou, por fim, que seu governo ajudará “o homem do campo a se armar”.

“Tiramos, com a ajuda do Parlamento, a figura da posse de arma de fogo e passamos para posse estendida. No passado, só podia usar arma na sua casa. Hoje, ele pode montar a cavalo ou entrar em um carro e rodar todo o perímetro da sua propriedade armado”, comemorou. “A propriedade privada é sagrada ou não é? Devemos agir dessa maneira.”

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