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Trump derrota Haley nas primárias da Carolina do Sul

O ex-presidente se aproxima um pouco mais de uma possível revanche com o democrata Joe Biden nas presidenciais de novembro

O ex-presidente Donald Trump durante ato de campanha em Iowa, em 6 de janeiro de 2024. Foto: Tannen Maury/AFP
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Donald Trump derrotou, no sábado (24), sua adversária republicana Nikki Haley, nas primárias da Carolina do Sul, aproximando-se um pouco mais de uma possível revanche com o democrata Joe Biden nas presidenciais de novembro.

O resultado representa um duro revés para Haley, que encarna a ala mais moderada do Partido Republicano, pois ocorre no estado que ela governou por seis anos.

Em um sinal de que o ex-presidente não considera mais Haley como uma ameaça, Trump não a mencionou em seu discurso da vitória. Ele preferiu apontar o atual presidente, o democrata Joe Biden, de 81 anos.

“Estaremos aqui em 5 de novembro e vamos olhar para Joe Biden, vamos olhar para ele bem nos olhos, ele está destruindo o nosso país. E vamos dizer: Joe, você está demitido. Saia”, dissse Trump para seu eleitorado na capital do estado, Columbia.

Assim como nas primárias anteriores, cujo objetivo é designar o candidato republicano às presidenciais, o ex-presidente se mostrou implacável.

Veículos de comunicação americanos divulgaram sua vitória segundos depois do fechamento das seções eleitorais, mas a margem do resultado ainda não foi divulgada.

Apesar de seus problemas com a justiça, Trump, de 77 anos, é o grande favorito na corrida pela indicação republicana.

O resultado das primárias é claro. “Isto ilustra que ele é agora efetivamente o candidato republicano à presidência. A velocidade do resultado provavelmente aumentará a pressão sobre ela para se retirar da corrida”, explicou David Darmofal, cientista político da Universidade da Carolina do Sul, à AFP.

O ex-presidente espera obrigar sua ex-embaixadora na ONU a jogar a toalha, como seus outros adversários fizeram, para concentrar-se em Biden, candidato à reeleição.

Biden reagiu ao resultado da Carolina do Sul com um breve comunicado, no qual alerta os americanos sobre “a ameaça que Donald Trump representa” para o futuro, enquanto o país “lida com os danos que ele deixou para trás”.

“Não vou desistir”

Haley, 52 anos, resiste a admitir a derrota.

“Eu afirmei no início da semana que, não importa o que aconteça na Carolina do Sul, eu continuaria candidata… Sou uma mulher de palavra. Não vou desistir desta luta quando a maioria dos americanos desaprova Donald Trump e Joe Biden”, afirmou após o anúncio dos resultados no estado.

A premissa de Haley é simples: “Não sobreviveremos a mais quatro anos de caos de Trump”.

No sábado, surgiu uma nova polêmica.

Trump sugeriu que seus problemas judiciais fazem com que os afro-americanos simpatizem com sua candidatura.

“Os negros gostam de mim porque têm sido muito prejudicados e discriminados, e de fato me veem como se eu estivesse sendo discriminado”, disse.

Haley qualificou estes comentários de “repugnantes”.

“É repugnante. Mas é isso que acontece quando sai do teleprompter. Esse é o caos que se avizinha com Donald Trump”, disse em uma seção eleitoral.

Os democratas também se chocaram com a fala, devido à comparação entre os afro-americanos e a criminalidade.

“Durante a noite na Carolina do Sul, Donald Trump subiu ao palco para fazer comentários vergonhosos e racistas que exploram o ódio e a divisão que são o pior de nós”, afirmou Biden em uma mensagem de sua campanha.

A próxima etapa das primárias será disputada em Michigan na próxima terça-feira.

Os republicanos de Idaho e Missouri vão votar em 2 de março e os da Dakota do Norte, no dia 4, mas a data mais importante do calendário político americano será 5 de março, data da famosa Superterça.

Nesse dia, eleitores de 15 estados, incluindo Texas, Califórnia, Colorado e Virgínia, comparecerão às urnas simultaneamente no grande dia das primárias.

Em tese, as primárias podem prosseguir até julho, mas a equipe de Donald Trump prevê uma vitória “no mais tardar em 19 de março”.

Trump quer iniciar o mais rápido possível a campanha para a revanche contra Joe Biden, o presidente democrata que disputa a reeleição, antes de mergulhar nos julgamentos em série que o obrigarão a alternar comícios e tribunais.

Então, por que Haley continua na disputa? “Ela está esperando para ver se Trump será afastado por uma decisão judicial ou por um problema de saúde”, disse à AFP o cientista político Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia.

O primeiro julgamento criminal de Trump começará em 25 de março.

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