Glifosato, herbicida polêmico em todo o mundo

Acusado de provocar câncer, o produto foi proibido em poucos países até agora

Roundup, glifosato da Monsanto (Foto: Josh Edelson/AFP)

Roundup, glifosato da Monsanto (Foto: Josh Edelson/AFP)

Mundo,Saúde

O glifosato, herbicida mais utilizado do mundo, é acusado de provocar câncer, mas até agora poucos países proibiram o uso da substância.

Desde 2015, a substância é considerada pela Organização Mundial de Saúde como “cancerígeno provável”. É usado sob distintas marcas, sendo a mais conhecida delas o Roundup, fabricado pela Monsanto, propriedade do grupo alemão Bayer.

Confira abaixo algumas das restrições vigentes em vários países e regiões do mundo:

Estados Unidos

Um júri americano considerou que o Roundup contribuiu para o linfoma não Hodgkin (LNH) de Edwin Hardeman, aposentado de cerca de 70 anos.

Na quarta-feira 27, o grupo Monsanto foi declarado culpado de negligência por um júri da Califórnia e condenado a pagar cerca de 81 milhões de dólares a Hardeman.

Em agosto passado, um tribunal de San Francisco condenou a Monsanto a pagar 289 milhões de dólares a Dewayne Johnson, que tinha o mesmo câncer.

A Justiça decidiu que o Roundup foi a causa de sua doença e que a Monsanto agiu de forma mal-intencionada, dissimulando riscos de seus produtos com glifosato.

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Handerman atribui o câncer ao Roundup (Foto: Julie Charpentrat/AFP)

A multa foi reduzida para 78,5 milhões de dólares por uma juíza, mas a Bayer apelou da decisão.

O grupo farmacêutico e de agroquímica alemão afirma que “a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não geram câncer”.

Nos Estados Unidos, há milhares de processos em curso contra a Monsanto, mas o que ocorrer no caso Hardeman, que ainda pode durar duas semanas, será crucial para o futuro.

América Latina

No Brasil, a Justiça pediu em 2015 para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária avaliar “urgentemente” sua toxicidade diante de uma possível proibição – uma decisão que não agrada ao poderoso lobby do agronegócio.

Na Colômbia, as pulverizações aéreas de glifosato foram proibidas em 2015 pela Corte Constitucional. Mas Iván Duque, presidente desde 2018, é favorável a retomá-las para fazer frente ao aumento recorde das plantações de drogas.

Em El Salvador, o glifosato integrava a lista de 53 produtos agrícolas proibidos em 2013, mas logo foi retirado, com outras dez substâncias. Há uma comissão encarregada de avaliar os riscos.

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Na Argentina, os conflitos entre os habitantes e os agricultores que usam glifosato são constantes. O segundo grupo considera o produto indispensável para seu trabalho. Contudo, como não existe uma legislação nacional, as prefeituras devem tomar decisões locais para limitar a fumigação.

Europa

Após dois anos de debates especialmente intensos, em 2017 os Estados-membros da União Europeia decidiram renovar por cinco anos a licença do glifosato.

A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, justificou a decisão pela aprovação de suas agências científicas, a Efsa (segurança alimentar) e a Eccha (produtos químicos), que não consideraram a substância cancerígena.

Mas a independência da Efsa está em xeque. Vários jornais revelaram que seu relatório tinha trechos idênticos aos de um documento da Monsanto de 2012.

Já o governo francês prometeu que o glifosato seria parcialmente proibido em 2021 e totalmente dentro de cinco anos.

Sri Lanka

O herbicida foi proibido no Sri Lanka em junho de 2015, porque foi considerado responsável por uma doença nos rins, que afeta moradores das zonas de produção de arroz.

A comunidade científica do país destacou, porém, que não existem estudos que associem o glifosato diretamente à doença renal crônica. Com isso, a proibição foi suspensa em maio de 2018, com uma autorização de utilização nas plantações de chá e da seringueira.

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