Monsanto é condenada a pagar multa para aposentado com câncer

Um júri da Califórnia determinou a indenização em 81 milhões de dólares em caso ligado ao herbicida Roundup

Handerman atribui o câncer ao Roundup (Foto: Julie Charpentrat/AFP)

Handerman atribui o câncer ao Roundup (Foto: Julie Charpentrat/AFP)

Mundo,Saúde

A empresa Monsanto foi declarada culpada de negligência por um júri da Califórnia e condenada a pagar 81 milhões de dólares a Edwin Hardeman, um aposentado americano que sofre de um câncer que ele atribui ao herbicida Roundup.

A sentença representa um novo revés para o gigante alemão Bayer, o proprietário da Monsanto, que já foi condenada em um julgamento similar realizado em agosto passado nos Estados Unidos. O júri considerou que a empresa foi “negligente” ao não fazer o suficiente para alertar os usuários do risco potencialmente cancerígeno do seu produto, Roundup, que contém glifosato.

Os jurados determinaram que o Roundup tinha um “defeito de design”, que “carecia” de advertências sanitárias sobre os riscos e que a Monsanto teria sido negligente. Em sua decisão, os jurados determinaram que a Monsanto pague ao aposentado Edwin Hademan 75 milhões de dólares em danos punitivos por conduta, 5,06 milhões em indenização e 200 mil por gastos médicos.

Em um comunicado, a Bayer disse estar “decepcionado com a decisão do juri”, mas considerou que o veredito “não muda o peso de 40 anos de ciência e as conclusões das agências reguladoras de todo o mundo” que afirmam que o herbicida é “seguro e não cancerígeno”.

A Bayer sofre com a aquisição da Monsanto (Foto: Patrik Stollar/AFP)

Debates em duas fases

O mesmo júri determinou recentemente que a exposição ao Roundup foi um “fator determinante” no desenvolvimento do câncer de Edwin Hardeman. Depois da decisão, foi aberta a segunda fase do julgamento, dedicada à responsabilidade da Monsanto, que se encerrou com a condenação desta quarta-feira.

A pedido da Bayer, os debates foram organizados em duas fases: uma “científica”, dedicada à responsabilidade do glifosato na doença, e outra para abordar uma possível responsabilidade do grupo. Os advogados de Hardemann, que abraçaram seu cliente quando foi anunciado o veredicto, se disseram satisfeitos com a decisão unânime do júri.

“Está claro pelas ações da Monsanto que ela não está preocupada se o Roundup causa câncer, e sim em manipular a opinião pública e desacreditar qualquer um que expresse preocupações genuínas e legítimas sobre o Roundup”, assinalaram as advogadas Aimee Wagstaff e Jennifer Moore.

“Diz muito que nenhum funcionário da Monsanto tenha comparecido (ao julgamento) para defender a segurança do Roundup ou as ações da Monsanto”, declarou. “Hoje, o júri responsabilizou a Monsanto por seus 40 anos de malversação corporativa e enviou uma mensagem que a empresa deve mudar sua forma de fazer negócios.” O caso Hardeman é apenas um dos 11, 2 mil processos similares nos Estados Unidos que envolvem o Roundup.

(Com informações da AFP)

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