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Ex-presidente argentino Macri pede voto para ultraliberal Milei
As declarações de Macri foram dadas dois dias depois de a ex-candidata dessa coligação, a conservadora Patricia Bullrich, ter anunciado, a título pessoal, seu apoio a Milei no segundo turno
O ex-presidente argentino e líder da coligação de centro-direita Juntos pela Mudança, Mauricio Macri (2015-2019), pediu nesta sexta-feira (27) o voto no libertário Javier Milei que disputará a Presidência do país em um segundo turno com o peronista Sergio Massa, em 19 de novembro.
“A proposta de mudança neste segundo turno é Javier Milei”, disse Macri, acrescentando que é preciso “ter a humildade” de reconhecer que os eleitores preferiram o libertário.
“Devemos apoiar sem nada em troca, sabendo que temos diferenças”, declarou Macri, entrevistado pela Rádio Mitre.
As declarações de Macri foram dadas dois dias depois de a ex-candidata dessa coligação, a conservadora Patricia Bullrich, ter anunciado, a título pessoal, seu apoio a Milei no segundo turno.
Bullrich ficou em terceiro lugar no primeiro turno, realizado em 22 de outubro, com 24% dos votos. Massa liderou a eleição, com quase 37%, e Milei ficou em segundo, com 30%.
Trata-se “de um apoio, e não de um acordo, embora seja um apoio incondicional que não é em troca de nada”, insistiu Macri, afirmando que Milei “é o único caminho que a Argentina tem hoje”.
O apoio de Bullrich e Macri a Milei desencadeou um conflito na coalizão formada por seu partido, o Proposta Republicana (PRO), e pelos social-democratas Unión Cívica Radial e Coalión Cívica, que se recusaram a apoiar o libertário.
Mesmo dentro do PRO houve recusa a apoiar Milei, de extrema-direita. O prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, derrotado por Bullrich nas primárias presidenciais da legenda, manifestou-se contra.
Ainda assim, Macri afirmou que “(a coligação) Juntos pela Mudança não se rompeu, pelo menos não a que eu fundei. É a mesma, com seus problemas, com seus conflitos internos (…)”.
Juntos pela Mudança conta com nove dos 23 governadores do país, além do prefeito da cidade de Buenos Aires, e é a segunda maior força no Congresso.
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