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Argentina: Bullrich, da direita ‘tradicional’, decide apoiar a ultradireita de Milei no 2º turno

O peronista Sergio Massa e Javier Milei se enfrentarão em 19 de novembro

Javier Milei e Patricia Bullrich. Fotos: Luis Robayo e Juan Mabromata/AFP
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A ex-candidata à Presidência da Argentina Patricia Bullrich, representante da direita alinhada em torno do ex-presidente neoliberal Mauricio Macri, anunciou nesta quarta-feira 25 seu apoio ao ultradireitista Javier Milei na disputa em segundo turno contra o ministro da Economia, Sergio Massa, o nome do peronismo.

Segundo Bullrich, “quando o país está em perigo, tudo está permitido”.

“Este momento nos desafia a não sermos neutros frente ao perigo do kirchnerismo de Sergio Massa”, disse a ex-ministra da Segurança em uma coletiva de imprensa.

Bullrich fez o anúncio após uma reunião da qual participaram lideranças do partido PRO, a exemplo de Macri, Horacio Rodríguez Larreta e María Eugenia Vidal.

A ex-presidenciável esclareceu, porém, que o apoio diz respeito a ela, não à coalizão Juntos por el Cambio, pela qual concorreu neste ano. Disse, ainda, ter conversado com Milei antes de tomar a decisão.

“Nos perdoamos mutuamente”, assegurou. “Conversamos sobre essas declarações e na esfera privada nos perdoamos. Hoje o país precisa de que sejamos capazes de perdoar uns aos outros.”

Confira o resultado do primeiro turno:

  • Sergio Massa: 36,68%;
  • Javier Milei: 29,98%;
  • Patricia Bullrich: 23,83%;
  • Juan Schiaretti: 6,78%; e
  • Myriam Bregman: 2,7%.


Conheça os personagens:

Patricia Bullrich

A ex-candidata da coalizão de direita Juntos por el Cambio se apresentou como linha-dura. “É tudo, ou nada”, dizia em suas mensagens na corrida eleitoral.

Bullrich integrou a Juventude Peronista nos anos 1970, durante o auge da atividade guerrilheira dos Montoneros.

Foi ministra da Segurança no governo Macri (2015-2019) e ministra do Trabalho na gestão Fernando de la Rúa (1999-2001). Presidente licenciada do PRO, cultivou uma imagem de mulher determinada e intransigente.

Seu bisavô Honorio Pueyrredón foi um importante líder radical (social-democrata), e os Bullrich tiveram a mais importante casa de leilões de gado em Buenos Aires no século XIX. Seu cunhado Rodolfo Galimberti foi um importante líder dos Montoneros.

Tem um filho e é casada com o advogado Guillermo Yanco.


Javier Milei

Economista de ultradireita e “libertário”, Milei trabalhou no setor privado até dois anos atrás. Tornou-se conhecido na televisão e depois viralizou nas redes sociais, nas quais conquistou parte dos jovens com uma retórica contra “a casta” do “establishment” político.

Concorrendo pelo partido La Libertad Avanza, ele promete dolarizar a economia, proibir o aborto, permitir o porte de armas, reduzir drasticamente os impostos e cortar os gastos públicos. Fez campanha segurando uma motosserra para simbolizar os cortes orçamentários que planeja fazer.

São frequentes as comparações com Donald Trump e Jair Bolsonaro (PL), embora nenhum deles tenha ido tão longe a ponto de propor “dinamitar” o Banco Central. Segundo Milei, a instituição é “um mecanismo pelo qual os políticos fraudam os argentinos”.

Tem 52 anos, é solteiro e não tem filhos.


Sergio Massa

Como ministro da Economia desde 2022, Massa luta contra uma inflação anualizada de quase 140%, a perda do valor da moeda e o aumento da pobreza, a atingir 40% da população. Ele atribui a crise à dívida com o Fundo Monetário Internacional contraída pelo governo do neoliberal Maurico Macri em 2018, além da pandemia da Covid-19 e de uma seca histórica.

Sempre aberto ao diálogo, calmo e sorridente, Massa, um advogado de 51 anos, aposta em seus mais de 30 anos de carreira política. Baseou sua campanha em uma promessa de unidade, em contraste com a disrupção inflamada representada por Milei.

Sergio Massa concorre como candidato do Unión por la Patria, aliança de vários setores do peronismo, incluindo o de Cristina Kirchner, a vice-presidenta do país. Ela e o presidente Alberto Fernández estiveram visivelmente ausentes da campanha presidencial.

Filho de imigrantes italianos, Massa cresceu na periferia de Buenos Aires. É casado e tem dois filhos.

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