Justiça

O que se sabe sobre a morte de um preso do 8 de Janeiro na Papuda

Cleriston da Cunha teve um mal súbito e morreu durante um banho de sol na Papuda, em Brasília, na segunda-feira 20

Reprodução/Cleriston Cunha no Facebook
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Preso no plenário do Senado durante os atos golpistas de 8 de Janeiro, o bolsonarista Cleriston Pereira da Cunha, de 46 anos, teve um mal súbito e morreu durante um banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na segunda-feira 20.

O detento se sentiu mal por volta das 10h, no pátio do bloco de recolhimento da penitenciária. Ele chegou a ser atendido por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros, com protocolo de reanimação cardiorrespiratória. Às 10h58, morreu.

Cleriston, empresário conhecido por familiares e amigos como “Clezão do Ramalhão”, nasceu na Bahia, mas morava no Distrito Federal há mais de 20 anos e usava medicação controlada para diabetes e hipertensão. Ele era irmão do vereador Cristiano do Ramalho (PSD), de Feira da Mata, no oeste baiano.

Enquanto estava detido preventivamente na penitenciária, recebia os remédios controlados e era acompanhado por uma equipe médica. Segundo registros da Secretaria de Administração Penitenciária, ele passou por oito atendimentos médicos entre janeiro e agosto. Em 29 de maio, chegou a ser levado ao Hospital Regional da Asa Norte.

De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o bolsonarista fez parte do grupo que invadiu o Congresso durante os atos golpistas e quebrou vidraças, espelhos, móveis, lixeiras, computadores, obras de artes e câmeras de seguranças.

Ele também foi apontado como um dos que atearam fogo no salão verde da Câmara e destruiu uma viatura da Casa.

Trecho da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Cleriston Pereira da Cunha – Reprodução/STF

No julgamento da denúncia, o advogado de Cleriston, Bruno Azevedo de Souza, alegou que o homem estava no local fazendo uma manifestação pacífica, sem depredar patrimônio público. Também argumentou que ele havia entrado no plenário do Senado para se defender das bombas.

O homem se tornou réu por sete crimes, incluindo associação criminosa armada, golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado. Ele ainda não havia sido julgado pelo Supremo. A defesa também contestava o fato de os crimes terem sido imputados coletivamente aos participantes do ataque.

Em setembro, a PGR acolheu um pedido do advogado de Cleriston e solicitou a revogação da prisão ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. No documento, cujo teor foi revelado pela CNN Brasil, a Procuradoria sustentava que “o término das oitivas das testemunhas e do acusado não justifica mais a segregação cautelar”.

No laudo médico anexado à manifestação, a defesa afirmava que a manutenção da prisão agravaria o estado de saúde do bolsonarista, uma vez que havia “risco de morte pela imunossupressão e infecções” devido às consequências da Covid-19.

Após a morte, Moraes pediu esclarecimentos urgentes sobre o caso à Direção do Centro de Detenção Provisória II, incluindo cópias do prontuário e de relatórios médicos referentes aos atendimentos recebidos pelo detento.

Para a família de Cleriston, houve descaso do STF com o réu. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o irmão dele afirmou que a família está indignada com a demora para conceder a liberdade provisória.

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