Justiça

O impacto do enrosco de Jaques Wagner sobre uma possível nova indicação de Messias ao STF

Na mira da PF, o líder do governo no Senado vira fator de instabilidade em uma articulação que já exigiria recomposição com Alcolumbre

O impacto do enrosco de Jaques Wagner sobre uma possível nova indicação de Messias ao STF
O impacto do enrosco de Jaques Wagner sobre uma possível nova indicação de Messias ao STF
A sabatina de Jorge Messias na CCJ do Senado, em 29 de abril de 2026. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
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A operação da Polícia Federal no Caso Master contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT), é mais um elemento de pressão à eventual tentativa do Palácio do Planalto de reconduzir o advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

O episódio não é visto, por si só, como capaz de inviabilizar uma nova indicação. Mas atrapalha a articulação política justamente no momento em que Lula precisaria reconstruir pontes no Senado, recompor a relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e reverter a derrota sofrida em abril, quando o nome de Messias foi rejeitado por 42 votos a 34.

Como líder do governo, Wagner é um dos principais operadores do Planalto junto aos senadores. Cabe a ele negociar com bancadas, atuar junto a Alcolumbre e ajudar a calibrar o calendário de uma eventual sabatina e votação. Por isso, o desgaste provocado pela operação passou a ser tratado, nos bastidores, como um problema adicional para uma indicação que já exigiria uma engenharia política delicada.

No Planalto, a avaliação é que este não é o momento de dobrar a aposta na nomeação do AGU. Há, porém, divergências na própria base. Líderes governistas ouvidos pela reportagem minimizam o efeito direto da investigação sobre uma eventual nova indicação. Um dos argumentos é a postura de Alcolumbre,, que saiu publicamente em defesa de Jaques Wagner. 

O líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Nos arredores da AGU, interlocutores de Messias avaliam que Wagner deveria deixar a liderança do governo para evitar que a investigação contamine Lula e, por consequência, uma nova disputa pelo STF. A avaliação convive, porém, com um constrangimento pessoal e político: Messias e Wagner são amigos de longa data, e o atual advogado-geral da União chegou a trabalhar no gabinete do senador. Na quinta-feira 18, os dois conversaram por telefone sobre as investigações.

Apesar das pressões, pessoas próximas a Messias afirmam que ele mantém apoio a Wagner. O dilema, agora, é como preservar essa relação sem permitir que o caso se transforme em munição contra uma eventual sabatina.

No Centrão, por outro lado, diz-se não haver dúvidas de que o processo de indicação de Messias será contaminado. A oposição bolsonarista já prepara o terreno para transformar o caso em tema de uma eventual nova sabatina. A estratégia seria associar Messias ao desgaste de Wagner e explorar a proximidade entre ambos para constranger o governo no Senado.

O consenso entre governo, Centrão e oposição é que o poderio de uma articulação só será testada de fato se Lula confirmar a nova indicação. Nesse cenário, nomes como Randolfe Rodrigues (PT-AP), Rogério Carvalho (PT-SE) e Otto Alencar (PSD-BA), aliado próximo de Wagner, tendem a assumir papel mais ativo na busca dos votos necessários para aprovar o advogado-geral da União.

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