Justiça
Gilmar pede desculpas após citar homossexualidade em resposta a críticas de Zema
A troca de farpas entre o ministro e o ex-governador vem acontecendo há uns dias e tem como pano de fundo o relatório final da CPI do Crime Organizado
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, pediu desculpas sobre um episódio em que insinuou homossexualidade como ofensa para questionar o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
“Não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema”, escreveu o magistrado em uma publicação no X, o antigo Twitter.
A menção aconteceu durante uma entrevista dada pelo ministro ao site Metrópoles depois que o ex-governador publicou vídeos com bonecos de fantoches com acusações a Gilmar. O decano do STF tentava dizer que deveria haver limites para críticas. “Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado”, afirmou.
Zema, então, aproveitou a deixa para, também pelas redes sociais, criticar o ministro. “O que você não pode fazer é comparar homossexual com ladrão. Sério que você acha que é a mesma coisa chamar alguém de ‘homossexual’ ou de ‘ladrão’? Aí você mostrou todo seu mais puro preconceito para o Brasil”, afirmou.
Briga aberta
A troca de farpas entre o ministro e o ex-governador vem acontecendo há uns dias e tem como pano de fundo o relatório final da CPI do Crime Organizado, que propôs o indiciamento de Gilmar, além de outros membros da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), no entanto, foi rejeitado pelo Senado.
Diante o cenário, Zema subiu o tom contra os magistrados e usou a palavra “podridão” ao se referir ao Supremo, durante uma agenda em São Paulo. A resposta de Gilmar veio em uma publicação nas redes sociais onde disse ser “irônico” ver Zema atacar o tribunal mesmo após ter contado com decisões da Corte para adiar o pagamento de dívidas de Minas com a União.
Zema chegou a fazer uma tréplica à provocação do ministro, em uma entrevista ao site O Antagonista. Ao rebater as críticas, o ex-governador afirmou estar preocupado com “o modelo mental de Gilmar Mendes” e disse que o ministro expediu uma decisão favorável a Minas apenas para que ele ficasse “submisso” à Corte.
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