Justiça

Fachin evita confronto direto, mas despista colegas que cobram mais pulso

A resposta do presidente do STF ao relatório do senador Alessandro Vieira foi considerada tardia e insuficiente por parte dos ministros

Fachin evita confronto direto, mas despista colegas que cobram mais pulso
Fachin evita confronto direto, mas despista colegas que cobram mais pulso
Foto: Victor Piemonte/STF
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Alvo de críticas veladas e ‘desabafos’ à imprensa, Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, tem evitado a arena aberta por colegas que cobram dele uma atuação mais firme na defesa pública da Corte.

Enquanto uma ala majoritária — composta por Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — espera uma postura mais enfática em assuntos que envolvam a imagem da Corte, Fachin segue convicto de que esse comportamento é uma forma de aproximar ainda mais o STF da fogueira.

A mais recente desavença envolve demora do presidente do Supremo em se manifestar a respeito do indiciamento de ministros na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. Embora o relatório final tenha sido rejeitado, a inclusão dos nomes de Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet — em investigações ligadas ao crime organizado provocou forte reação interna.

Quando veio, a resposta de Fachin foi considerada tardia e insuficiente por parte dos ministros. No fim da tarde de terça-feira, 14, ele divulgou nota em que solicitava à Procuradoria-Geral da República a adoção de medidas em relação à conduta do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na elaboração do relatório da CPI. Ao longo do dia, porém, Dino e Gilmar já haviam se manifestado publicamente nas redes sociais.

Pela manhã, Fachin havia telefonado a colegas informando que uma nota seria divulgada, o que aumentou a expectativa por uma reação mais rápida e incisiva.

Reservadamente, o presidente do Supremo atribui o embate a uma diferença de concepção sobre como enfrentar crises institucionais. Sua estratégia busca priorizar julgamentos de impacto social e acelerar a análise de decisões monocráticas levadas ao plenário. Em sua visão, o Supremo deveria “falar pela pauta”.

A prática, no entanto, nem sempre acompanha a teoria. Na sessão plenária desta quarta-feira 15, dois julgamentos foram suspensos após pedidos de vista de Moraes e Gilmar Mendes: se nomeações de parentes para cargos políticos configuram nepotismo e a extensão do direito ao silêncio em abordagem policial.

Após a sessão, saíram juntos do elevador privativo em direção ao estacionamento do STF os ministros Moraes, Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Conversavam em tom descontraído.

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