Economia

Sob governo Bolsonaro, trabalhador formal nunca recebeu aumento real no salário

Pesquisa aponta que nos últimos anos, acordos e convenções escalonaram os índices de reajuste

Foto: Daniel Texeira/Estadão Conteudo
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Trabalhadores formais completaram três anos sem reajuste salarial que equivalesse à inflação no período. É o que aponta o boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, divulgado nesta quarta-feira 26. 

Se nos dois anos anteriores a variação mediana dos salários foi de zero pontos percentuais, em 2021 o cenário piorou, passando a ser 0,1% negativo. 

Segundo o coordenador da pesquisa, o resultado, ainda que negativo, foi melhor que o previsto, levando e consideração as condições da economia e do mercado de trabalho. 

“Nos outros anos, a inflação era mais baixa, mas em 2021 foi brutal. Levando isso em conta, não foi tão ruim quanto poderia ter sido”, afirmou o professor Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. 

A pesquisa mostra que somente 18,6% dos acordos coletivos e convenções acordados em 2021 refletiram em aumentos salariais maiores que a inflação do ano anterior. 

Antes da pandemia, quase a metade das negociações resultaram em aumento de salário real para os trabalhadores. 

Outro fator relevante trazido pela pesquisa foi o aumento dos acordos que preveem um escalonamento gradual dos reajustes salariais. 

“Isso quase não aparecia antes da pandemia e salta em alguns momentos, dependendo do número de categorias que fecharam negociação. O reajuste vem pequeno e ainda é pago parcelado”, diz o coordenador. 

Dos acordos consolidados em dezembro do ano passado, 16,4% dos casos representavam esta modalidade de reajuste. Apesar da promessa de aumento, os reajustes estão longe de alcançar a perda do poder aquisitivo causado pela alta da inflação. 

“Mais complicadas porque as empresas não conseguem repassar esse nível de inflação aos seus produtos e serviços. Quando a economia está mais dinâmica, tudo bem, mas não é o caso agora. O poder de barganha dos sindicatos fica reduzido”, afirma Zylberstajn. 

Além dos salários estagnados, os benefícios como vale-refeição e alimentação também não tiveram seus valores corrigidos. Do outro lado da balança, a inflação dos alimentos ficou em 7,71%, segundo o INPC. 

Ainda conforme dados da pesquisa, foi no setor de serviços que os trabalhadores tiveram um pior percentual de reajuste salarial. 

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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