Economia

Inflação do Brasil, de 10,06% em 2021, é a 3ª maior do G-20

Alta nos preços é problema global, mas não se trata de um movimento homogêneo – o que desmente uma das principais alegações de Jair Bolsonaro

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP
Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP
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A alta nos preços é um fenômeno global em meio à pandemia, com economias atingidas por consequências da crise sanitária, escassez de matérias-primas e altos níveis de demanda para reabertura. Mas não se trata de um movimento homogêneo, o que desmente uma das principais alegações do presidente Jair Bolsonaro.

Levantamento da Trading Economics, plataforma que analisa os dados históricos e as projeções de quase 200 países, demonstra que a inflação brasileira é a 3ª pior entre as nações do G-20. O monitoramento leva em conta o índice acumulado em 12 meses.

Nesta terça-feira 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, instrumento oficial de medição da inflação, fechou 2021 em 10,06%, maior taxa desde 2015. Situação pior no G-20 vivem apenas a Argentina, que até novembro acumulava em 12 meses uma inflação de 52,1%, e a Turquia, cujo índice é de 36,08%, já atualizado em dezembro.

Em 12 meses, o IPCA ficou bem distante do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 5,25% em 2021. O centro da meta era de 3,75%. Para este ano, o teto da meta de inflação é de 5%.

Em uma suposta tentativa de frear o aumento dos preços, o Comitê de Política Monetária do BC vem subindo repetidamente a taxa básica de juros, a Selic. Em 8 de dezembro, o colegiado aumentou a taxa em 1,5 ponto percentual, para 9,25% ao ano – foi a 7ª alta consecutiva.

Com tudo isso, Jair Bolsonaro tenta se equilibrar entre duas ‘narrativas’: a de que o Brasil é um dos países que menos sofreram economicamente na pandemia e a de que o sofrimento que, por ventura, ele tenha enfrentado se deve a prefeitos e governadores, jamais ao governo federal. Ambas as alegações são desmentidas pelos dados.

Países como Austrália, Canadá, China e Coreia do Sul adotaram medidas muito mais restritivas ao longo da pandemia para cortar a disseminação da Covid-19 e têm uma inflação acumulada inferior à do Brasil, porque as ações sanitárias não são o único fator a justificar a flutuação dos preços.

Diversos países do G-20 ainda não divulgaram os índices de inflação atualizados em dezembro. Nenhum deles, no entanto, “ultrapassará” o Brasil no ranking, dada a diferença no acumulado em 12 meses. Veja a lista:

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