Cultura

Os pedidos por cessar-fogo em Gaza na cerimônia do Oscar

Manifestantes fecharam ruas no entorno do local do evento, enquanto parte dos artistas criticou violência na região

O diretor Jonathan Glazer, do filme britânico "Zona de Interesse", que venceu o Oscar de melhor filme internacional foi um dos vários a citar o conflito em Gaza durante o evento nos EUA. Foto: Robyn BECK / AFP
Apoie Siga-nos no

Uma das marcas da cerimônia do Oscar 2024, realizada neste domingo 10, em Los Angeles, nos Estados Unidos, foi a campanha feita por artistas em defesa de um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Protestos a favor da Palestina, por exemplo, aconteceram nas proximidades do Dolby Theater, onde ocorreu a cerimônia, e chegou a atrasar o início da premiação. 

Manifestantes fecharam ruas do entorno do local da cerimônia, pedindo um cessar-fogo em Gaza e criticando os ataques de Israel na região.

Do lado de dentro, parte dos artistas presentes usou broches vermelhos como sinal de pedido pelo cessar-fogo. A indumentária mostrava uma mão e um coração preto, representando a campanha “Artists4Ceasefire“. 

O broche que simbolizava a campanha foi usado, por exemplo, pela cantora Billie Eilish e seu irmão, o artista Finneas O’Connell, que ganharam o Oscar de melhor canção original. 

A cantora Billie Eilish e seu irmão, o artista Finneas O’Connell, que ganharam a categoria de melhor canção original, participaram da campanha pelo cessar-fogo em Gaza durante a cerimônia do Oscar.
Foto: Robyn BECK / AFP

O acessório também foi usado pela diretora e roteirista Ava DuVernay, pelo diretor nigeriano Misan Harriman, e pelos atores Mark Ruffalo e Ramy Youssef.

Para além do broche, a própria bandeira da Palestina foi usada por artistas presentes ao evento. Entre eles, estavam os atores Milo Machado-Graner e Swann Arlaud, do filme “Anatomia de uma Queda”. 

Discurso

O tema também esteve presente em discursos e declarações de artistas que estiveram na cerimônia. 

Um deles foi o diretor Jonathan Glazer, do filme britânico “Zona de Interesse”, que venceu o Oscar de melhor filme internacional. Ao receber a estatueta, Glazer criticou a violência em Gaza, chamando a atenção para as mortes de palestinos e israelenses.

“Nosso filme mostra como a desumanização leva ao pior cenário, moldando nosso passado e presente. Neste momento, estamos aqui como pessoas que refutam o seu judaísmo e o Holocausto, sequestrados por uma ocupação que levou muitas pessoas inocentes ao conflito, sejam os israelenses vítimas do 7 de outubro ou [os palestinos] do ataque em Gaza”, disse o diretor.

Baseado em fatos reais descritos no livro de mesmo nome, do autor Martin Amis, “Zona de Interesse” conta a história de uma família de um comandante de Auschwitz, o principal campo de concentração da Alemanha nazista.

Ator Ramy Youssef, de “Pobres Criaturas”, também usou o broche que pedia o fim da violência contra os palestinos.
Foto: DAVID SWANSON / AFP

Ramy Youssef, ator do premiado “Pobres Criaturas” foi outro a usar parte do evento para pedir o fim do conflito. Em entrevista à revista Variety, no tapete vermelho da premiação, Youssef afirmou:

“Queremos o cessar-fogo imediato e permanente em Gaza. Queremos paz e justiça pelas pessoas na Palestina. É uma mensagem universal de ‘parem de matar crianças’.”

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo