CartaExpressa

Condenação pelo PowerPoint é tímida perto dos crimes de Deltan, diz coordenador do Prerrogativas

‘Em qualquer democracia do mundo, Deltan poderia, pelas ações criminosas que cometeu, estar preso’, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho

Marco Aurélio de Carvalho e Deltan Dallagnol. Fotos: Divulgação/Prerrogativas e Vladimir Platonow/ Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, ironizou nesta terça-feira 22 a reação do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol após ser condenado pelo Superior Tribunal de Justiça no caso do PowerPoint contra o ex-presidente Lula.

“Em qualquer democracia do mundo, Deltan poderia, pelas ações criminosas que cometeu, estar preso”, disse Carvalho a CartaCapital. “Então, quem tem de comemorar esta decisão é o Dallagnol”.

Segundo o coordenador do Prerrogativas, a decisão do STJ é “importantíssima, mas ainda muito tímida perto do número enorme de crimes que ele [Deltan] cometeu e dos prejuízos que provocou para o ex-presidente Lula, para a família dele, para o PT e para os cidadãos de um modo geral, que foram privados de escolher livremente nas últimas eleições aquele que consideravam o melhor candidato para enfrentar os desafios do País”.

No processo, Lula pedia indenização de 1 milhão de reais por danos morais devido à famosa entrevista concedida por Dallagnol em 2016 com o auxílio de um PowerPoint. Na ocasião, o então chefe da Lava Jato explicava uma denúncia contra Lula no caso do triplex do Guarujá (SP).

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal aplicou um revés a Dallagnol com a anulação de condenações de Lula (inclusive no processo do triplex) e o reconhecimento da suspeição de seu aliado Sergio Moro (Podemos).

A maioria da Quarta Turma do STJ acolheu parcialmente os argumentos de Lula, mas fixou a indenização em 75 mil reais, mais correção monetária e juros. Dallagnol disparou, pelas redes sociais, contra a decisão.

“Essa é a reação do sistema, nua e crua. Lula sai impune e nós pagamos o preço da corrupção”, escreveu o ex-procurador. “Quem ainda neste país terá coragem de fazer seu trabalho de investigar e punir criminosos poderosos e informar à sociedade, depois dessa decisão do STJ de me condenar por ter apresentado o conteúdo da acusação à sociedade? Quem vai querer sofrer esse tipo de represália?”

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Relacionadas

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.