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Cármen Lúcia manda governo Bolsonaro explicar ‘com urgência’ consulta sobre vacinação de crianças

A decisão estabelece o prazo ‘improrrogável’ de cinco dias, independentemente de recesso

Cármen Lúcia manda governo Bolsonaro explicar ‘com urgência’ consulta sobre vacinação de crianças
Cármen Lúcia manda governo Bolsonaro explicar ‘com urgência’ consulta sobre vacinação de crianças
A ministra Cármen Lúcia, do STF. Foto: Nelson Jr./STF
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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, mandou o governo de Jair Bolsonaro explicar a abertura de uma consulta pública sobre a vacinação de crianças contra a Covid-19. A imunização dessa faixa etária já foi avalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A manifestação da magistrada ocorre no âmbito de uma ação apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. “Noutro gesto negacionista da ciência e protelatório, em vez de implementar a vacinação com a urgência que a pandemia exige, [o Poder Executivo] propõe seja feita uma Consulta Pública”, diz trecho do documento protocolado no STF.

Ao cobrar uma resposta do governo, Cármen Lúcia escreveu que “a seriedade e urgência de medidas eficientes no combate à pandemia do COVID 19 fez-se mais saliente com detecção de novas variantes”. O despacho foi assinado na quinta-feira 30.

A decisão estabelece o prazo “improrrogável” de cinco dias, independentemente de recesso, para que a Presidência da República e o Ministério da Saúde prestem informações “com urgência e prioridade”. A Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República também terão cinco dias para se manifestar.

Depois de a Anvisa autorizar a vacinação de crianças, Jair Bolsonaro disse que poderia expor os nomes dos servidores do órgão e classificou a decisão de “inacreditável”. Também repetiu que não imunizaria a filha de 11 anos e tornou a se referir à vacina como “experimental” – uma mentira.

Na quinta 30, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, criticou a consulta pública aberta pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, classificando-a como “uma medida que não guarda precedentes na história recente, não guarda precedentes no enfrentamento da pandemia e que está levando, inexoravelmente, a um gasto de tempo, tendo em vista que a nossa análise já foi concluída”.

“Então, como entender a motivação e o que de útil trará uma consulta que, sendo pública, obviamente, permite a participação de todos aqueles que têm conhecimento técnico sobre o assunto e aqueles que não têm? Será uma análise muito complexa desses resultados e tenho dúvidas quanto à utilidade prática dessa ferramenta”, completou Barra Torres.

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