Política

Bolsonaro quer expor técnicos da Anvisa que liberaram a vacina da Pfizer para crianças

O ex-capitão, ao retomar o discurso que tenta colocar em xeque a imunização, declarou que todos ‘devem tomar conhecimento’ dos nomes

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO). Foto: Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO). Foto: Reprodução
Apoie Siga-nos no

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira 16, que pais têm “direito de saber” os nomes dos profissionais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que aprovaram a vacinação de crianças de cinco a onze anos de idade.

A declaração ocorreu durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Bolsonaro comentava a decisão da Anvisa que autorizou a imunização das crianças com a vacina da Pfizer. A permissão foi anunciada horas antes da live.

“A Anvisa não está subordinada a mim, vou deixar bem claro isso. Não interfiro lá. Eu pedi, extraoficialmente, o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de cinco anos”, disse Bolsonaro. “Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento, quem são essas pessoas, né, e obviamente forme o seu juízo.”

De acordo com trecho lido por Bolsonaro, a Anvisa orientou os pais a procurarem atendimento médico se a criança apresentar, após aplicação da vacina, dores repentinas no peito, falta de ar ou palpitações.

“Você pai, você mãe, é responsável pelo seu filho e vai ler aqui o comunicado público da Anvisa. Não sei se são os diretores e o presidente que chegou a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico. Mas, seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho. E você decida se essa vacina compensa ou não”, declarou o presidente.

Bolsonaro afirmou sempre ter orientado que os pedidos de aprovação de vacinas passassem primeiro pela Anvisa antes de realizar o pagamento pelas doses. Em seguida, frisou que o governo não obriga ninguém a se imunuzar.

“Da nossa parte, foi voluntária tomar ou não. Ninguém falou aqui, obrigou a tomar ou falou para não tomar. A responsabilidade é de cada um, mas agora mexe com as crianças. Então, quem é responsável por olhar pelas crianças é você pai. Eu tenho uma filha de onze anos de idade, e vou estudar com a minha esposa bastante isso aqui para ver qual é a decisão que vamos tomar”, disse Bolsonaro.

Mais cedo, ao anunciar a liberação do imunizante da Pfizer para as crianças, o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, criticou movimentos antivacina e disse que profissionais da instituição estão recebendo ameaças de morte.

Torres reforçou que a decisão da Anvisa foi de ordem técnica.

“Se um laboratório protocola um dossiê para análise nesta agência nacional (…), não resta outra alternativa a esta agência a não ser proceder a análise e emitir uma conclusão”, que, afirmou, “será sempre embasada em argumentos técnicos, dossiês e análise por brasileiros que já fazem isso há mais de 20 anos”.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

Tags: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.