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Golpe do salário-maternidade divulgado por famosos mostra a vulnerabilidade das mães brasileiras

Induzidas a pagar por um direito já seu, essas mães serão ainda mais marginalizadas pela sociedade. E a amarga ironia é que são outras mães — ricas, famosas, brancas e seguidas por milhões — que perpetuam esse ciclo

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Cláudia Raia, Viih Tube, Tatá Werneck, entre outras famosas, têm usado suas plataformas com milhões de seguidores e emprestado a credibilidade para empresas que cobram por um serviço que pode ser realizado gratuitamente pelos canais oficiais do governo: o salário-maternidade.

O caso é mais um a revelar um cinismo alarmante no uso da influência digital, evidenciando a irresponsabilidade das celebridades e a vista grossa das plataformas digitais.

A ascensão das redes sociais transformou estes famosos em poderosos canais de marketing, estabelecendo-as como autoridades em uma vasta gama de assuntos — muitas vezes, além de suas competências originais.

Com legiões de seguidores, esses famosos usam seus perfis no Instagram e outras redes para moldar opiniões e comportamentos em temas tão diversos quanto moda, estilo de vida, saúde e finanças. Envolvidos pela confiança emocional e pelos vínculos psicológicos cultivados através do acesso constante às suas vidas pessoais, seus seguidores seguem esses “conselhos” sem o necessário filtro crítico.

Os impactos dessa falta de responsabilidade são agravados pela realidade social e econômica de muitas destas seguidoras: mulheres negras, indígenas e periféricas. Desafiadas por barreiras sistêmicas tanto de gênero quanto de raça, essas mulheres se tornam alvos fáceis de esquemas que prometem alívio financeiro imediato.

O escândalo nos lembra como é a urgente que plataformas assumam responsabilidade no combate à disseminação de informações falsas e enganosas. É preciso fortalecer políticas para a remoção de conteúdo falso e bloqueio de contas que propagam desinformação. A desinformação não opera no vácuo, mas dentro de um contexto social saturado de desigualdades preexistentes, onde as consequências de ser enganado podem ser devastadoras.

Induzidas a pagar por um direito já seu, essas mães serão ainda mais marginalizadas pela sociedade. E a amarga ironia é que são outras mães — ricas, famosas, brancas e seguidas por milhões — que perpetuam esse ciclo.

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