Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Sergio Pererê comemora 25 anos de carreira como referência na música afro-mineira

Cantor, compositor e multi-instrumentista lança álbum com seleção de músicas de sua trajetória, marcada pelo resgate da ancestralidade

Foto: Alê Bastos
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O mineiro Sérgio Pererê fez um teste de ancestralidade e acabou se transformando em um dos personagens do documentário Brasil: DNA África (2016). A descendência paterna é do umbundo de Angola.

Ele foi até aquele país, onde teve encontro com o rei e a rainha do povo de sua origem. “Tinha essa ânsia de saber de onde viemos. Eu sou de uma família em que todos acabaram sendo militantes de movimento negro. A gente acabou tendo essa relação muito potente com a ancestralidade”, conta.

O cantor, compositor e multi-instrumentista relata que seu pai era insistente em saber de sua ascendência. “Foi uma experiência poderosa. Eu voltei para o Brasil não com a sensação de uma coisa nova. Voltei para o Brasil com a sensação de que meu pai e minha mãe conseguiram manter uma África viva na família.”

Essa relação com os antepassados indica a ligação estreita de Pererê com a cultura afro-brasileira, especificamente com a cultura afro-mineira.

“Fico querendo que o Brasil conheça essa Minas negra. Ela não é tão divulgada. Quando a gente fala de música de herança africana, a gente vai direto para a Bahia, mas é impressionante, ela é forte em Minas Gerais”, destaca.

“Tem muitas Áfricas aqui. Como a arte me permite falar, projetar as ideias para longe, é quase como se fosse uma missão de poder falar dessa ancestralidade mineira que o Brasil e o mundo não conhecem.”

No álbum que lançou no início deste ano, chamado Velhos de Coroa, ele trouxe diversas irmandades negras mineiras para participar.

Agora, Sérgio Pererê apresenta um novo álbum, seu 15º, já disponível nas plataformas de música. História do Mundo celebra os 25 anos de carreira com uma seleção de canções representativas desse tempo na estrada, além de apresentar duas músicas inéditas.

No novo trabalho, o som afro-mineiro marcante na carreira musical de Pererê dialoga com o som eletrônico. “Esse álbum é como se eu estivesse me permitindo ir para outros lugares.”

Da cultura afro-mineira que pavimentou seu caminho até aqui, estão manifestações como moçambiques e congos.

“O congo é uma expressão que tem cinco marchas, cada uma de um jeito: congo compassado, congo dobrado, congo paraseiro, marcha grave e marcha picada”, explica. “No moçambique, um dos ritmos é ternário (compasso em três tempos), o que não é comum dentro das expressões afro-brasileiras.”

O músico conta que o maior desafio da carreira é dar sequência a ela. “Durante minha carreira, sempre me propus a fazer algo que eu quisesse muito. Mesmo que eu não esteja nesse lugar afro-mineiro, estarei em alguma coisa em que eu acredito muito”, diz.

“Não acredito no apelo de mercado. Não consigo fazer música porque é algo que o mercado está pedindo. Qualquer coisa que eu quiser vai ser no que eu acredito.”

Assista à entrevista de Sérgio Pererê a CartaCapital:

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