Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Músicos de um bar referência da noite paulistana lançam 3 ótimos discos

Paula Sanches, Edinho Silva e o duo Cadu Ribeiro e Arthur Favela, frequentes no palco do Ó do Borogodó, apresentam trabalhos ligados ao samba

Foto: Mery Esposi
Apoie Siga-nos no

Um dos bares mais tradicionais de música ao vivo de São Paulo, o Ó do Borogodó, já foi palco da excelente intérprete Fabiana Cozza. E também de D. Inah, dama do samba que teve reconhecimento tardio e faleceu no ano passado.

Por lá também já passaram outros músicos que alçaram voos. Neste ano, quatro cantores frequentes no palco do Ó do Borogodó lançaram bons discos, reforçando a tradição do bar de ter uma programação acima da média da vida noturna paulistana.

A experiente cantora Paula Sanches, em seu primeiro álbum, A Hora e a Vez do Samba de Paula Sanches, fez uma excelente releitura de músicas com registros pouco conhecidos e de outras mais célebres na voz de Carmen Miranda, Ademilde Fonseca, Elizeth Cardoso e Isaurinha Garcia. A desenvoltura da cantora nas interpretações é marcante.

As nove faixas do disco percorrem o samba canção, sincopado e de breque, além do choro cantado. Entre os compositores gravados por ela, Zé da Zilda, Almirante, Custódio Mesquita e Synval Silva.

Há duas inéditas da cantora e compositora paulistana Miriam Batucada, além de uma de compositores da nova geração, os irmãos Cadu Ribeiro (adiante trato de seu disco com Arthur Favela) e Gregory Andreas.

Foi um trabalho de garimpagem muito bem feito, de quem busca inspiração nas cantoras de rádio dos bons tempos. A direção musical do disco é do excelente violonista Edmilson Capelupi.

Assista à interpretação dela ao vivo, no lançamento do disco A Hora e a Vez do Samba de Paula Sanches, da música Projeto de Samba (José Thadeu, Zé da Zilda):

Edinho Silva, outro experiente cantor da noite, inclusive no Ó do Borogodó, lançou o álbum autoral Velho Samba Novo, com 10 faixas. O cantor, compositor e violonista preserva a levada do samba no disco – muito bem executada, por sinal, sem exageros, com cadência, mantendo o ritmo.

Nas composições gravadas no disco, Edinho Silva mantém parceria com gente de peso no gênero, como Leandro Fregonesi, Paulo César Pinheiro, Roberto Didio e João Camarero, este com nobre presença no disco, com arranjos e no violão – e que violão! Camarero é um dos maiores violonistas do País hoje.

Ouça o recém-lançado Velho Samba Novo:

Destaco a última faixa, Tempos de Ouro (Edinho Silva, Tuco Pellegrino, Rafael Lo Ré), um samba de quadra para frente.

Cadu Ribeiro e Arthur Favela apresentam o disco Talho, com 12 músicas da dupla – uma delas assinada também com Bruno Ribeiro e outra com Gregory Andreas.

Cadu é integrante e fundador do Trio Gato com Fome, com três álbuns lançados e muita irreverência na música. Arthur é cria da Barra Funda, berço do samba de São Paulo.

O álbum Talho navega pelo samba tradicional com arranjos modernos e tem a participação de Juliana Amaral e Moyseis Marques. Nas letras, os tempos de polarização política e angústia dividem espaço com criações mais bem-humoradas e de esperança.

A direção musical de Talho é de João Poleto, um dos grandes instrumentistas de sopro de São Paulo. O videoclipe da música Quase (Cadu Ribeiro e Arthur Favela) dá uma ideia desse descontraído e responsável encontro de dois músicos talhados no samba:

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.