Economia
Articulador do tarifaço, Paulo Figueiredo desiste de participar de audiência nos EUA
Bolsonarista afirma que enviará manifestação por escrito para dar protagonismo a Flávio Bolsonaro, que falará nesta terça-feira 7
O influenciador Paulo Figueiredo desistiu nesta segunda-feira 6 de participar presencialmente da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a proposta de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A sessão começou nesta segunda, em Washington, e é considerada a última etapa da investigação comercial antes da decisão definitiva do governo Donald Trump, prevista para 15 de julho.
Em publicação nas redes sociais, Figueiredo afirmou que optou por enviar suas contribuições por escrito para concentrar a atenção na participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que discursará na terça-feira 7, às 11h (horário de Brasília).
“O foco da semana deve ser a ida do Flávio Bolsonaro para lutar contra as tarifas que Lula tanto está cavando. Por isso, em vez de participar pessoalmente da audiência, optei por enviar os meus comentários por escrito. Tenho certeza de que o Flavio vai brilhar e nos representar”, escreveu no X.
A desistência ocorre poucos dias depois de Figueiredo protagonizar um desgaste na pré-campanha de Flávio ao afirmar que “mulheres votam mal” e atribuir o comportamento eleitoral feminino ao feminismo. As declarações provocaram reação pública do senador, que afirmou discordar do aliado e disse ter se sentido ofendido pela fala.
Apesar da ausência, Figueiredo manterá a posição apresentada ao USTR na manifestação escrita protocolada na semana passada. No documento, ele pede que os Estados Unidos abandonem o tarifaço, mas substituam a medida por sanções direcionadas contra autoridades brasileiras. A proposta inclui a retomada das punições previstas na Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, além da ampliação das sanções para o ministro Gilmar Mendes. Também sustenta que tarifas amplas fortaleceriam politicamente o presidente Lula (PT) em ano eleitoral, sem atingir aqueles que considera “responsáveis” pelas condutas investigadas.
A posição é semelhante à defendida por Flávio Bolsonaro em manifestação de 86 páginas enviada ao USTR. O senador pediu que a aplicação das tarifas seja suspensa por 180 dias, permitindo que a discussão ocorra somente depois das eleições. Segundo ele, uma sobretaxa imediata acabaria beneficiando eleitoralmente Lula em vez de pressionar o governo.
Paulo Figueiredo integra, ao lado de Eduardo Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro, o grupo que atuou junto ao governo Trump durante a investigação comercial aberta contra o Brasil. Desde o ano passado, os três mantiveram interlocução com integrantes da Casa Branca defendendo medidas de pressão contra o governo brasileiro, como a abertura da investigação da Seção 301, sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e restrições diplomáticas. O Itamaraty atribui essa articulação à origem da crise comercial e afirmou recentemente que os “traidores da Pátria” devem um pedido de desculpas pelos prejuízos causados ao Brasil.
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