Economia

Flávio Bolsonaro diz ao governo Trump que tarifaço daria ‘vitória’ a Lula

Em manifestação ao USTR, o senador afirma que tarifas fortaleceriam eleitoralmente o petista e propõe adiar decisão até depois das eleições de outubro

Flávio Bolsonaro diz ao governo Trump que tarifaço daria ‘vitória’ a Lula
Flávio Bolsonaro diz ao governo Trump que tarifaço daria ‘vitória’ a Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta quarta-feira 1º sua manifestação oficial ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), pedindo que o governo de Donald Trump não aplique um tarifaço de 25% sobre parte das exportações brasileiras. No documento, de 86 páginas, o pré-candidato a presidente afirma que a medida produziria o efeito contrário ao pretendido pela Casa Branca: em vez de pressionar o Palácio do Planalto, fortaleceria politicamente o presidente Lula (PT) em ano eleitoral. 

Flávio solicita que o USTR suspenda a adoção das tarifas e abra uma mesa de negociação entre os dois países. Segundo ele, não é necessário encerrar a investigação, apenas adiar a adoção das sanções enquanto Brasil e Estados Unidos negociam uma solução. 

O principal argumento da manifestação é que o tarifaço beneficiaria justamente o governo que os Estados Unidos pretendem pressionar. Segundo o senador, a medida “recompensaria o atual governo brasileiro pela estratégia que vem adotando: bloquear negociações sérias, provocar uma retaliação de Washington e depois transformar essa retaliação em uma vitória política doméstica”. Em outro trecho, resume a tese afirmando que as tarifas “recompensariam exatamente aqueles que deveriam punir”. 

Para sustentar esse argumento, Flávio dedica um capítulo inteiro à evolução das pesquisas eleitorais desde o primeiro tarifaço anunciado em 2025. Segundo ele, “um instrumento criado para pressionar o governo acabou, de forma mensurável, fortalecendo esse mesmo governo”. O senador acrescenta que o avanço de Lula nas pesquisas durante o período em que as tarifas estiveram no centro do debate “não enfraquece o argumento; é justamente a prova dele”. 

O senador também afirma que aliados de Lula exploraram politicamente o anúncio das tarifas ao atribuir à oposição bolsonarista a responsabilidade pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O documento cita pesquisas de opinião e reportagens para sustentar que o episódio provocou desgaste no campo da extrema-direita e fortaleceu o discurso do governo.

Além do argumento eleitoral, Flávio afirma que a sobretaxa não atende ao objetivo previsto na própria Seção 301 da legislação comercial americana, que determina que as medidas adotadas devem levar à eliminação das práticas consideradas desleais. Segundo o senador, isso não ocorreu após o primeiro tarifaço.

No documento, ele afirma que as tarifas “não eliminaram nenhuma das práticas investigadas”, “não atingem o alvo indicado pelo próprio presidente dos Estados Unidos” e “beneficiam justamente os responsáveis pelas condutas apontadas e um governo que se recusou a negociar de boa-fé”. 

Flávio também sustenta que a medida atingiria os agentes errados. Segundo ele, as tarifas recairiam sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos, além dos brasileiros favoráveis a uma aproximação com os Estados Unidos, enquanto os responsáveis pelas práticas investigadas permaneceriam sem sofrer os efeitos diretos das sanções. Por isso, defende que, caso Washington considere necessária alguma punição, utilize mecanismos direcionados contra indivíduos específicos, e não contra toda a economia brasileira

Outro ponto central da manifestação é o pedido para que o USTR considere o calendário eleitoral brasileiro antes de decidir sobre as sanções. Flávio argumenta que faltam cerca de três meses para as eleições gerais e que uma decisão imediata poderia ser interpretada como tentativa de influenciar o processo eleitoral. Como alternativa, propõe que a implementação das tarifas seja suspensa por 180 dias, prazo que poderia ser prorrogado caso as negociações avancem. 

Na conclusão, o senador resume sua tese afirmando que “as tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem construindo, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”. 

A manifestação foi protocolada no último dia do prazo aberto pelo USTR para recebimento de contribuições antes da audiência pública marcada para 6 e 7 de julho. Flávio também está inscrito para participar da sessão. Paralelamente, o governo Lula apresentou sua própria defesa ao órgão americano, sustentando que a sobretaxa não tem base no comércio internacional, prejudica empresas e consumidores dos Estados Unidos e reduz o espaço para uma solução negociada entre os dois países.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo