Justiça

Democracia não tem lugar para quem não joga sob suas regras, diz Barroso

Segundo o presidente do STF, a democracia necessita de ‘agentes públicos não eleitos pelo voto popular, para que permaneçam imunes às paixões políticas’

Democracia não tem lugar para quem não joga sob suas regras, diz Barroso
Democracia não tem lugar para quem não joga sob suas regras, diz Barroso
Presidente do STF, Ministro Luís Roberto Barroso, preside Sessão Solene de Abertura do Ano Judiciário. Foto: Antonio Augusto/STF
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O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, disse nesta segunda-feira 3, ao abrir os trabalhos do Judiciário em 2025, que a democracia necessita de “agentes públicos não eleitos pelo voto popular, para que permaneçam imunes às paixões políticas” , defendeu a atuação dos seus colegas de toga e reforçou que o regime democrático não comporta aqueles que não jogam segundo suas regras.

“O título de legitimidade desses agentes é a formação técnica e a imparcialidade na interpretação da Constituição e das leis”, destacou o magistrado. “Nós decidimos as questões mais complexas e divisivas da sociedade brasileira. E, naturalmente, convivemos com a insatisfação de quem tem interesses contrariados.”

Durante seu discurso, Barroso mencionou as ações do STF no ano passado e lembrou que a democracia tem lugar para todos, menos para aqueles que não aceitam “jogar sob suas regras”. Além disso, disse que a Corte ajudou a preservar a institucionalidade no Brasil “em um momento da história mundial em que se verifica a erosão democrática em muitos países”.

Além dos ministros do Supremo, participaram da cerimônia o presidente Lula (PT) e os recém-eleitos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Não houve julgamento de ações na solenidade desta segunda-feira — os magistrados devem começar a analisar os processos na quarta-feira.

Na ocasião, o tribunal discutirá a constitucionalidade da revista íntima em visitantes em presídios e das anistias políticas concedidas pelo governo de Jair Bolsonaro a militares da Força Aérea no período da ditadura militar. Também está na pauta o julgamento da ADPF das Favelas, que impôs restrições a operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.

A retomada dos trabalhos do STF também marca o início da reta final da gestão de Barroso, cujo mandato de dois anos à frente da Corte termina em setembro. Ele será sucedido por Edson Fachin, atual vice-presidente.

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