Justiça
Corregedor homologa acordo e suspende reclamações contra desembargador da Lava Jato
Os processos tratavam de uma eventual suspeição do magistrado para julgar processos pela sua relação com o ex-juiz Sergio Moro
O corregedor nacional de Justiça, Luís Felipe Salomão, homologou um acordo com o desembargador Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e suspendeu ao menos três procedimentos contra o magistrado por supostas infrações disciplinares.
A decisão foi assinada na última segunda-feira 29. O conteúdo do Termo de Ajustamento de Conduta, contudo, permanece em sigilo, informou o Conselho Nacional de Justiça. Malucelli atuava em segunda instância nos processos da Operação Lava Jato, mas, no início do ano passado, se envolveu em polêmicas.
Partiu da defesa do magistrado o interesse em firmar o acordo. O objetivo era evitar que as reclamações se tornassem processos administrativos disciplinares — os quais poderiam, dependendo do desfecho, colocá-lo na mira das penalidades previstas na Lei Orgânica da Magistratura.
Os processos em tramitação no CNJ tratavam, entre outras coisas, de uma eventual suspeição do magistrado para julgar processos nos quais o advogado Rodrigo Tacla Duran é réu, devido à relação do desembargador com o ex-juiz da Lava Jato e hoje senador Sergio Moro (União-PR).
Tacla Duran afirmou no passado que pessoas próximas a Moro tentaram extorqui-lo para obtenção de um acordo de delação mais vantajoso – o que o senador repudia. E o filho do desembargador, o advogado João Eduardo Barreto Malucelli, é sócio do senador e da deputada federal Rosangela Wolff Moro (União-SP) no escritório Wolff Moro Sociedade de Advocacia.
Além disso, João Eduardo também seria namorado da filha do casal de parlamentares. Em 2023, uma das decisões de Malucelli envolvendo Tacla Duran derrubava a revogação do mandado de prisão contra o advogado que havia sido assinada pelo juiz Eduardo Appio, à época responsável pelos casos remanescentes da Lava Jato na primeira instância.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
CNJ afasta desembargador que falou em ‘mulherada louca atrás de homem’ em sessão
Por Wendal Carmo
CNJ intima juíza e desembargadora de Goiás que negaram aborto à vítima de estupro
Por CartaCapital



