Economia

Sob pressão do Centrão, governo Lula aceita cronograma para pagamento de emendas

O governo espera finalizar o repasse de quase 15 bilhões de reais até 30 de junho, data-limite para o envio de recursos públicos em ano eleitoral

Sob pressão do Centrão, governo Lula aceita cronograma para pagamento de emendas
Sob pressão do Centrão, governo Lula aceita cronograma para pagamento de emendas
Brasília (DF), 16-05-2023 – Entrevista coletiva do Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da. República, Alexandre Padilha, fala sobre negociação das Mps com o Congresso Nacional. Foto Valter Campanato/Agência Brasil.
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Sob pressão do Centrão, o governo Lula (PT) decidiu recuar e afirmou a líderes partidários que vai elaborar um calendário para o pagamento de emendas parlamentares. O acordo foi firmado durante uma reunião nesta quinta-feira entre parlamentares que integram a Comissão Mista de Orçamento e o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Após o encontro, Padilha disse a jornalistas que o governo espera finalizar o repasse de quase 15 bilhões de reais até 30 de junho, data-limite para o envio de recursos públicos em ano eleitoral.

“A gente quer estabelecer a prioridade absoluta do empenho e pagamento desses valores da saúde e assistência social no calendário eleitoral para que permita os repasses desses recursos”, afirmou. “Por isso, estamos reafirmando esse compromisso”.

O deputado federal Danilo Forte (União-CE), fiador da criação do cronograma para empenho das emendas parlamentares, classificou o acordo como “uma vitória para o Congresso Nacional”.  Contudo, o mecanismo foi visto por parlamentares governistas como uma estratégia do Centrão para ampliar seu poder sobre o Orçamento.

A ideia constava na Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas foi barrada pelo presidente Lula (PT) durante a promulgação do texto. Com o calendário, o governo federal se via obrigado a empenhar recursos destinados a emendas impositivas, aquelas de pagamentos obrigatórios, em até 30 dias após a assinatura da proposta.

Atualmente, não existe um cronograma para a execução dessas verbas, o que dá ao governo a chance de utilizar as datas de liberação dos pagamentos como meio de negociação com o Congresso, especialmente em votações de projetos prioritários.

O veto presidencial, segundo Padilha, será mantido oficialmente, já que derrubá-lo configuraria crime de Responsabilidade Fiscal. Durante o encontro, os parlamentares também marcaram uma nova reunião para debater a decisão de Lula em barrar outros trechos da LDO.

A costura feita pelo Palácio do Planalto acontece em meio à pressão do Centrão pela troca no comando da articulação política, sob a alegação de que Padilha não estaria cumprindo os acordos firmados com parlamentares.

No início deste ano, líderes partidários fizeram chegar a Lula que nenhuma pauta de interesse do governo andaria caso não houvesse substituição no comando da Secretaria de Relações Insitucionais. Também pesou a favor do incômodo um veto do petista a parte do montante destinado às emendas de comissão.

O presidente, então, precisou entrar em campo e chamou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), para uma conversa no Palácio na Alvorada. A reunião ajudou a distensionar a relação pouco amistosa entre caciques do Centrão e o Planalto, na avaliação feita por parlamentares a CartaCapital.

Desde então, Lula decidiu estabelecer pontes de diálogo com Lira e se engajar mais na articulação política. Para esta quinta-feira, ele convidou Lira e líderes partidários para um jantar no Alvorada. O encontro está previsto para começar às 19h.

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