Política

Eunício Oliveira se articula para ser o candidato do Planalto à sucessão de Lira

A movimentação do ex-senador, contudo, é vista com ressalvas entre partidos que compõem o arco de alianças do governo

O presidente do Senado Federal, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Foto: Pedro França/Agência Senado
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De olho na troca no comando da Câmara, o emedebista Eunício Oliveira (CE) tem procurado interlocutores do governo Lula com objetivo de posicionar seu nome como alternativa do Palácio do Planalto na disputa pela sucessão de Arthur Lira (PP).

Embora falte pouco mais de um ano para a eleição, marcada para fevereiro de 2025, parlamentares têm acelerado as negociações em torno do tema. Até aqui, ao menos seis deputados são citados como possíveis postulantes à vaga.

Nos últimos dias, Oliveira buscou ministros do governo e de partidos de esquerda para defender que o bloco governista tenha um candidato próprio na disputa, a fim de evitar que os governistas fiquem tão reféns do Centrão. Pontou, contudo, que precisa do respaldo dos colegas para a empreitada.

O ex-presidente do Senado também foi sondado por parlamentares da base e da oposição sobre uma eventual candidatura, apurou a reportagem. As conversas orbitaram em torno da necessidade de mudar a condução dos trabalhos na Câmara, que concentrou muito poder nos líderes partidários, segundo participantes dos encontros.

“Honestamente, não descarto sair candidato. É natural as pessoas colocarem seu nome e me sinto à disposição para deixar meu nome para ser submetido. Nós temos muito tempo para fazer essa construção”, disse Oliveira a CartaCapital.

Nos bastidores, parlamentares relatam insatisfação com a forma que os projetos chegam ao plenário, sem qualquer sinalização prévia, e atribuem o açodamento à forma como Lira e o colégio de líderes têm conduzido as discussões sobre a pauta legislativa.

Oliveira foi ministro das Comunicações no primeiro governo Lula e integra uma ala do MDB mais simpática ao presidente. Nas eleições, se articulou para retomar barrar a candidatura de Simone Tebet e retomar a aliança com os petistas, interrompida após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

A movimentação do ex-senador, contudo, é vista com ressalvas entre partidos que compõem o arco de alianças do governo Lula.

De acordo com cardeais emedebistas, o único candidato que o partido pode lançar na disputa é Isnaldo Bulhões (AL) – nas palavras de líderes do partido, o alagoano tem mais chances de dialogar com parlamentares do chamado “chão da Câmara”.

Outra ala da base governista nutre simpatia pela candidatura de Antônio Brito, líder da bancada do PSD na Câmara. Também não está descartado um apoio à candidatura do deputado Marcos Pereira, do Republicanos – nos últimos meses, integrantes do Planalto intensificaram os acenos ao vice-presidente da Câmara com objetivo de aproximá-lo da gestão petista.

Lira, por sua vez, tem indicado preferência por Elmar Nascimento (União), nome que não empolga integrantes do Planalto pelo tom bélico adotado no início do governo Lula. Além disso, o deputado é adversário político dos petistas na Bahia, seu reduto eleitoral, o que emperra as chances de apoio.

Além deles, o líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP), também é citado como possível postulante à presidência da Câmara pela direita bolsonarista – mesmo caso do PL, que trabalha para ter candidato próprio.

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